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Fome, caos econômico e saúde

Por Maria Giovana Fortunato

28 de junho de 2022, às 09h37 • Última atualização em 28 de junho de 2022, às 09h38

Essa tríade fome, economia e saúde – talvez não nesta ordem – está intimamente ligada no Brasil de 2022. São 33,1 milhões que não tem o que comer, sendo que em 2020 eram 19,1 milhões. Retrocedemos três décadas. Os dados são do Inquérito Nacional Sobre Insegurança Alimentar.

O problema só não é mais grave em função da solidariedade do brasileiro durante a pandemia. Segundo o Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), as doações no Brasil somavam R$ 3,25 bilhões em 2018, número que saltou para R$ 6,9 bilhões do início da pandemia até abril deste ano.

Não basta somente o espírito voluntarioso do nosso povo. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), na capital paulista, o custo médio da cesta foi de R$ 777,93 em maio. Um absurdo.

Itens básicos, como o tomate, aumentaram 103,6% em um ano. Já a batata subiu 63,40%. Não vamos nem citar outros itens como carne vermelha, cujo sabor está em alguma lembrança distante dos brasileiros mais necessitados, infelizmente.

Na outra ponta da fome está a saúde. A desnutrição, segundo o Ministério da Saúde, causa problemas como perda muscular, déficit no crescimento, alterações psicológicas e psíquicas, má formação óssea e anemia nas crianças. Tais problemas vão trazer consequências graves ao SUS (Sistema Único de Saúde).

A fome deve ser tratada como prioridade. Hoje, é o principal problema do Brasil. O filósofo romano Sêneca (4 a.C) escreveu: “Depois de nos precavermos contra o frio, a fome e a sede, tudo mais não passa de vaidade e excesso”. Temos que inserir a questão da fome no centro do debate político. Essa é a nossa urgência. Q

Maria Giovana Fortunato
Vice-presidente Estadual do PDT e sanitarista

Colaboração

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