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Papo Fermentado

Existem mais de 100 estilos de cerveja: como assim?!

Até 1977 não falávamos sobre estilos de cerveja, a gente consumia pelo nosso gosto pessoal; atualmente, dois guias categorizam os estilos cervejeiros

Por Papo Fermentado

25 fev 2021 às 09:37 • Última atualização 25 fev 2021 às 09:52

Você está no mercado fazendo suas compras e, finalmente, chega nas prateleiras de cerveja. Quanta opção! São latas coloridas, garrafas de diferentes tamanhos e formatos, umas com tampinha, outras com rolha, alguns rótulos são mais divertidos e outros mais sérios.

Ao observar um rótulo, está escrito “Dunkel”, em outro “Stout”, em outro “IPA”, “Weiss”, “Witbier”, “APA”, “Pilsen”, “Bock”, “Session IPA”… Afinal de contas, quantos estilos de cerveja existem? São uns 10? Talvez 25? Já se perguntou isso? Ou, talvez para você, cerveja estaria dividida apenas entre clara e escura?

Para iniciarmos esse assunto, vamos rebobinar a fita e voltar para 1977. Até então não falávamos sobre estilos de cerveja, a gente consumia e classificava pelo nosso gosto pessoal se a cerveja era boa ou ruim. Mas aí surge Michael Jackson (não aquele das danças e músicas incríveis, mas o jornalista inglês) que lança o livro World Guide to Beer. Ele foi um grande entusiasta da cerveja que nasceu em 1942.

O que Michael Jackson começou a fazer foi categorizar as cervejas, levando em consideração aspectos históricos, aparência, sabores, processos produtivos e outros. É claro que de 1977 para cá muita coisa mudou: estilos foram criados, receitas antigas foram resgatadas, as fábricas modernizaram-se, o consumidor tornou-se cada vez mais exigente e em busca de novidades. Além disso, surgem os concursos cervejeiros, a produção caseira aumenta e hoje temos uma corrida para ver quem produz cerveja de maior qualidade, com mais inovações e que agrade o mercado.

O trabalho de categorização iniciado por Michael Jackson foi fundamental para a consolidação de 02 guias cervejeiros que temos hoje, o BJCP (Beer Judge Certification Program) e o BA (Brewers Association), ambos são importantes ferramentas de conhecimento e parametrização de estilos.  

Vamos aprender um pouco mais sobre os guias?

Guia da BA foi lançado pela primeira vez em 1993 – Foto: Divulgação

O Guia da BA foi lançado pela primeira vez em 1993 nos Estados Unidos com o principal objetivo de promover e proteger os cervejeiros americanos independentes e é usado em concursos que envolvam produções comerciais. É abrangente e atualizado anualmente – a versão que temos disponível é a de 2020.

Para um estilo entrar no guia, observa-se a importância histórica, autenticidade e se a cerveja mostra-se relevante para o mercado atual, por isso observam muito as tendências para ver se prosperam ou não. São 154 estilos divididos em duas categorias maiores: Ale e Lager. Dentro dos estilos Ale, temos os de origem britânica, irlandesa, norte americana, alemã, belga, francesa e outros.

Já dentro de Lager, temos os de origem européia, norte americana e outros. Além desses dois grandes grupos, temos o de cervejas mistas e híbridas com diferentes tipos de fermentação, com adição de frutas, chocolate, café, madeira, especiarias, vegetais e também estilos históricos.

Guia do BJCP foi criado em 1997 – Foto: Divulgação

Já o Guia do BJCP foi criado em 1997 também nos Estados Unidos. É mais sucinto e tem menos atualizações – a última é de 2015 com 123 estilos e subestilos. É formulado por uma instituição formadora de juízes de cerveja, hidromel e sidra (sim, você pode ser um juiz BJCP, mas tem que estudar muito sobre os estilos, processos, matéria prima e diretrizes do programa de qualificação) e é o mais usado em concursos de cerveja caseira.

Trás exemplos comerciais de referências em cada estilo e as descrições são mais detalhadas, o que auxilia no desenvolvimento de receitas com mais segurança em relação aos estilos originais. Aqui os estilos são mais difíceis de serem incorporados, pois observam o desempenho de determinada receita no mundo, para ver sua consolidação – por isso entre uma atualização e outra surgem os “estilos provisórios”.

Então, um resumo comparativo de ambos:

  • Ambos são guias que nos relatam as características que devemos encontrar (ou não) em cada estilo de cerveja. Assim, a produção deve ser padronizada e não subjetiva com o gosto pessoal.
  • As diretrizes do BA são mais voltadas para os fabricantes e o BJCP para juízes e concursos.
  • O BA é descrito de forma mais genérica, sem  grandes especificações técnicas.
  • O BJCP contém mais especificações técnicas.
  • O BA é atualizado com mais frequência e reflete bem o mercado cervejeiro atual.
  • O BJCP é mais criterioso com a inclusão de estilos.

O que fica para nós, consumidores, é a delícia de aprender sobre a origem de cada estilo de cerveja, o que devemos esperar em cada um e informações de como pode ser feito, ou seja, beber melhor e com mais conhecimento. Eles nos ajudam a descobrir nossas preferências e entender o que aquelas palavras escritas nos rótulos das cervejas querem nos dizer.

Apostamos que na sua próxima ida ao mercado, você vai se atentar mais nos estilos estampados nas garrafas. Você pode encontrar o guia BJCP para download AQUI e o guia BA AQUI.

SAÚDE!

Papo Fermentado

Blog do casal Fernanda Brito e Bruno Martinelli, sommeliers de cerveja pelo Instituto da Cerveja Brasil. Amamos contar nossas experiências gastronômicas, a história que envolve a linha do tempo da cerveja e dicas para quem quer se aventurar nesse universo. Fale com a gente pelo ola@papofermentado.com.br ou WhatsApp (16) 99339-1221. Nas redes sociais, somos o @papofermentado.