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Cotidiano & Existência

Eu acredito em fadinhas

Com seu talento, simplicidade e fraternidade, Rayssa Leal espalha "pó de pirlimpimpim" para todos que ainda acreditam na humanidade

Por Gisela Breno

27 de julho de 2021, às 10h28

Rayssa Leal aos cinco anos ganhou dos pais um skate. Nas ruas de Imperatriz, a menina brincava com o presente novo vestida de Sininho, a fadinha azul.

Aos seis anos, executando uma difícil manobra conhecida como “heelflip”, que foi gravada, ganhou projeção nas redes sociais, recebendo o apelido de Fadinha.

Nos últimos anos, se tornou um dos principais nomes do street no mundo. Foi vice-campeã mundial em 2019 e chegou bem cotada para as Olimpíadas de 2021 em Tóquio.

Na idade em que quase ninguém tem algum feito notável, a menina atleta de 1,47 m de altura e 35 kg, aparelho nos dentes, sorriso nos lábios e na alma, se torna a medalhista olímpica mais jovem da história do esporte.

“Eu só me diverti. É o que mais sei fazer. Estou muito feliz porque pude representar todas as meninas que não se classificaram, todas as meninas do skate e do Brasil”, disse Rayssa que também afagou nossos corações, dançando linda e livremente nos momentos que antecederam a final olímpica do skate street.

Em tempos desoladores para o nosso espoliado e até desacreditado País, conduzido por alguém que não demonstra compaixão, solidariedade para com os seus (des)governados, que faz cortes de R$ 36 bi na saúde no pior momento da pandemia, que veta projeto que facilitaria acesso a remédios orais contra câncer, que esfacela as Universidades, mas sobe gasto com salário de militares, o exemplo, o talento, a disciplina, a fraternidade, a simplicidade e a representatividade de uma fadinha maranhense de 13 anos, numa manobra essencial para todos brasileiros e brasileiras, espalha “pó de pirlimpimpim” para todos que, apesar de todos os pesares, ainda acreditam na humanidade.

Gisela Breno

Professora, Gisela Breno é graduada em Biologia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e fez mestrado em Educação no Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo). A professora lecionou por pelo menos 30 anos.