23 de julho de 2021 Atualizado 23:16

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Estúdio 52

Os esnobados, esquecidos e boicotados do Oscar 2021

Lista de indicados ao principal prêmio da temporada é sóbria e coerente em vários aspectos, mas algumas ausências beiram o inaceitável

Por

16 mar 2021 às 15:25

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na segunda-feira (15) os indicados ao Oscar de 2021. Assim como acontece em toda edição, algumas ausências chamam a atenção, tanto pelo fato de serem filmes premiados em festivais importantes do circuito quanto por aspectos políticos.

Quando a 93ª Cerimônia do Oscar começar, na noite do dia 25 de abril, lembre-se que alguns dos melhores filmes do ano passado não estão entre os concorrentes. Não que os indicados não mereçam estar lá. Como em toda curadoria, o Oscar nada mais é do que um recorte. É interessante acompanhar, mas existe um mundo além.

Dito isto, vamos aos filmes e artistas esnobados, esquecidos e até mesmo boicotados pela Academia. Começando pelo caso mais escandaloso do ano.

“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” foi completamente ignorado

Vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim de 2020 e destaque no Sundance Film Festival, “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” foi boicotado por votantes do Oscar e não figurou em nenhuma categoria. O motivo: a trama acompanha a jornada de uma adolescente de 17 anos que viaja até Nova York para conseguir realizar um aborto de forma legal.

O boicote foi divulgado pela própria diretora do filme, Eliza Hittman, que compartilhou um e-mail do jurado e cineasta Kieth Merrill. Ele se recusou a assistir o filme por ser “cristão, pai de 8 filhos e avô de 39 netos”. O homem se considera um “ativista pró-vida” e declarou ter “zero interesse” em assistir ao filme.

Infelizmente, tal atitude tem respaldo da Academia. Algumas categorias exigem que os votantes assistam a todos os cotados, mas não é o caso de melhor filme. Pois é.

O silêncio diz muito sobre os traumas da protagonista – Foto: Divulgação

O que se perde aqui é a chance de discutir um assunto extremamente relevante e de se apreciar um ótimo filme. É impressionante como os momentos de silêncio do longa gritam ao expectador. A tristeza está no olhar da protagonista, na pergunta que é deixada de lado quando a resposta já ficou evidente.

“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” mostra o quão tortuoso é o caminho traçado por uma adolescente que decide abortar sem contar aos pais sobre a gravidez. Como o procedimento não é autorizado no Estado da Pensilvânia, ela viaja com a prima até Nova York.

As jovens não tem muito dinheiro, nem onde dormir e ninguém para contar além delas. Para quem se interessar, o filme entra no catálogo do Telecine Play nesta quinta-feira (17).

Entre os esnobados, impossível não falar da ausência de “Uma Noite em Miami” para melhor filme e de sua diretora, Regina King, no prêmio de direção. A crítica sobre o filme já foi publicada pelo Estúdio 52 e você pode ler aqui.

Regina King com o ator Eli Goree durante as gravações – Foto: Divulgação

Foi o primeiro longa de grande distribuição dirigido por Regina, que também é atriz. Ela foi indicada ao Globo de Ouro, mas não venceu. Assim, o Oscar segue sem indicar diretoras negras na categoria.

Felizmente, “Uma Noite em Miami” foi lembrado para melhor roteiro adaptado e canção original (“Speak Now”). Leslie Odom Jr. que viveu Sam Cook, também aparece como melhor ator coadjuvante.

O grande esquecido da premiação foi o diretor Spike Lee e o seu “Destacamento Blood”, indicado apenas em melhor trilha sonora. O filme foi diretamente impactado pela pandemia. Programado para estrear no Festival de Cannes, que acabou cancelado, o longa foi direto para a Netflix em junho.

Spike Lee (esq.) com o elenco de “Destacamento Blood” – Foto: Divulgação

Apesar de elogiadíssimo pelos críticos, a obra não conseguiu ascender ao grande público e acabou de fora das principais indicações. Novamente, Spike Lee segue sendo ignorado para melhor diretor no Oscar. Até o momento, um dos maiores nomes da direção dos EUA faturou apenas a estatueta de melhor roteiro adaptado com “Infiltrado na Klan”, em 2019.

Correndo por fora, tivemos ainda outros ignorados. Era esperado que Zendaya beliscasse uma vaga como melhor atriz por seu papel no drama “Malcom & Marie”, o que não aconteceu. Já Tom Hanks estrelou dois bons filmes que estavam elegíveis, “Greyhound” e “Relatos do Mundo”, mas não conseguiu emplacar nenhuma indicação.

Há ainda o caso de “A Voz Suprema do Blues”, que ficou de fora dos principais prêmios da noite, apesar de ainda figurar com melhor atriz para Viola Davis e melhor ator para o falecido Chadwick Boseman, favoritaço ao prêmio.

Entre favoritos, indicados e derrotados, fato é que o ano de 2020, apesar da pandemia, nos reservou bons filmes, independentemente de premiações.

André Rossi

Repórter do LIBERAL, está no grupo desde janeiro de 2019. Sempre em conflito por não saber o que priorizar: a eterna lista de filmes que só aumenta, as séries pendentes que não dão descanso, ou o backlog de RPG’s que nunca termina.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.