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Estúdio 52

‘Ghost of Tsushima’ vai virar filme e tem tudo para dar certo

Enredo do jogo é recheado de reviravoltas, cenário espetacular, personagens bem estruturados e história surpreendente

Por Luciano Bianco

31 mar 2021 às 19:17 • Última atualização 01 abr 2021 às 14:56

Em ‘Ghost of Tsushima’, Jin Sakai luta para recuperar a ilha das mãos do exército mongol – Foto: Divulgação

Recentemente a Sony anunciou que seguirá dando visibilidade à pequena ilha do Japão, Tsushima, cenário em que Jin Sakai trava uma batalha incansável pela liberdade dos civis das mãos do poderoso exército mongol. Jogo foi um dos maiores sucessos da empresa em 2020 com mais de 6,5 milhões de cópias vendidas.

Até o momento poucas pistas sobre o filme foram divulgadas, mas algumas já aquecem a curiosidade dos fãs do game, como por exemplo, a direção por conta de Chad Stahelski, responsável pelas cenas de ação em John Wick. Além disso, Daisuke Tsuji, ator que deu vida à Jin Sakai no game, também já demonstrou seu interesse em reviver o personagem, mas nada foi definido ainda.

Enquanto as informações do filme são escassas, podemos adiantar o enredo e explicar porque ‘Ghost of Tsushima’ se tornou um sucesso de vendas e aposta para o mercado cinematográfico.

O jogo

História se passa no ano de 1274 em uma pequena ilha, que apesar de fazer parte do Japão, fica mais próxima à Coreia do Sul e, por conta disso, acaba sendo um dos primeiros pontos de parada do poderoso exército mongol. Apesar de parecer ter um teor histórico, o jogo foge, propositalmente, dos fatos reais e grande parte do que se vê no game é ficção, mas isso não diminui em nada o enredo do jogo.

O jogo começa com exército mongol, liderado por Khotun Khan, retratado como neto do famoso conquistador Genghis khan, invadindo a ilha e travando a primeira batalha do jogo nas praias de Tsushima. Todos os samurais da ilha são incumbidos de parar a invasão, o que logo de cara você percebe ser algo impossível devido à dimensão do exército comandado por Khan.

O resultado é inevitável. Os samurais são dizimados e até Jin Sakai é dado como morto por conta de seus ferimentos, porém, mesmo muito ferido, ele recebe a ajuda de Yuna, uma ladra que, apesar de suas condutas duvidosas, se vê obrigada a tratar de Jin. Além dele, outro sobrevivente é o Lorde Shimura, tio de Jin e responsável pela ilha.

A sobrevivência dele é proposital e serve para traçar o perfil do inimigo como um excelente estrategista, que faz o lorde refém e com isso, busca apreender o idioma japonês, assim como a cultura, crenças e mistérios do local invadido com o objetivo de, com isso, conquistar o Japão futuramente.

O objetivo do jogo a partir disso é óbvio. Impedir que o exército Mongol tenha sucesso e recuperar os vilarejos, pouco a pouco, até conseguir livrar a ilha da presença deles.

Dilemas

Jin Sakai é filho de um samurai e sobrinho do lorde da ilha, que o criou após o pai morrer em combate. Criado como um filho por Shimura, Jin segue os ensinamentos de samurai e por conta disso, apesar de aprender as técnicas, se vê em diversas encruzilhadas ao longo de sua jornada para salvar a ilha.

Ética de Jin é colocada a prova em vários momentos em que ele deve decidir como irá atacar – Foto: Divulgação

Sem querer desonrar o seu nome e sua família, ele se vê forçado a seguir a ética de um samurai enquanto luta com inimigos que não estão presos às mesmas “regras” que ele.

E para piorar, o inimigo como um bom estrategista, sabe dessa desvantagem dele e com bastante frequência aproveita disso como uma forma de “quebrar” o psicológico do protagonista. Esses momentos em que Jin se vê dividido entre fazer o certo ou salvar a ilha a qualquer custo pode ser muito bem aproveitado nas telonas e proporcionar reviravoltas interessantes ao longo da história.

Personagens

Ao longo do jogo, Sakai recruta aliados para ajudá-lo a salvar a ilha – Foto: Divulgação

O jogo é recheado de personagens bem construídos com histórias próprias que podem ser bem trabalhadas em um longa.

Todos possuem personalidade, motivação e um bom passado que o impele a luta e a ajudar Sakai. Salvar a ilha sozinho é praticamente impossível, então para isso, ele busca ajuda de outros conterrâneos e assim, a história se aprofunda nos personagens.

Os principais são Yuna e o irmão, Taka, um ferreiro talentoso que em alguns momentos cria armas e ferramentas inovadoras para auxiliar Sakai. Masako Adachi, matriarca de um clã de samurais, que além de perder o marido e filhos na praia durante a invasão, perde também toda a família após um ataque surpresa à sua residência. Buscando vingança, ela se junta ao protagonista.

Sensei Ishikawa é um mestre em arco e flecha que vê sua aluna com maior potencial migrar para o lado dos mongols e usar suas técnicas e seu nome para destruir seu próprio povo. Com o objetivo de pará-la, ele também se junta à Sakai.

Outros personagens vão surgindo ao longo da batalha e assim como esses, quase todos possuem um passado, um histórico que justifique suas ações e dá maior profundida à história do jogo.

Ambientação

O visual estético do jogo é um espetáculo a parte. Criado para valorizar ao máximo o cenário, o jogo te faz perder alguns minutos observando os detalhes de cada região por onde passa.

Esqueça ícones na tela mostrando onde você deve ir, ou onde estão os objetivos. Essas informações só trariam ruído à estética que valoriza ao máximo a vegetação, montanhas, construções e beleza da ilha de Tsushima. A saída para proporcionar isso foi colocar a direção do vento, como indicativo de onde está o seu próximo destino, o que, além de não poluir a tela, dá ainda mais beleza ao jogo com o movimento da vegetação seguindo o fluxo do vento.

Isso não foi por acaso. Desenvolvedores do jogo visitaram a ilha diversas vezes para tentar entregar o máximo de detalhes possíveis em seu produto final. Apesar de não ser uma recriação exata da ilha, a Sucker Punch pode se vangloriar do que entregou.

Curiosidades

Jogo recolocou Tsushima no mapa. A ilha, que seguia um pouco esquecida pelo governo japonês, viu o turismo crescer após o lançamento do jogo. Até por isso, como medida de agradecimento, decidiram, no ano passado, dar o título de embaixador para os criadores do jogo e mais recentemente, surgiu interesse de promover também todos os desenvolvedores do game a embaixadores da ilha.

Sinal de que a ilha ganhou visibilidade, também é vista em forma de auxílio. Em setembro de 2020, a ilha foi atingida por um tufão que destruiu o Templo de Watatsumi. Para restaurá-lo, seriam necessários cinco milhões de yenes (R$ 263 mil), moeda local. Uma campanha de financiamento coletivo foi criada e os jogadores conseguiam arrecadar 27 milhões de yenes (R$ 1,4 milhão). A restauração deve ter início agora em abril.

Luciano Bianco

Editor do LIBERAL, está no grupo desde 2006.
Acumula cada vez mais horas com games, fã de séries, filmes e Star Wars (esse último precisa de uma categoria à parte). Vive o eterno dilema de ver mais um episódio ou dormir.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.