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Estúdio 52

‘Falcão e o Soldado Invernal’ é bom, mas peca pela temporada curta

Talvez o maior desafio dessa temporada tenha sido encaixar tudo em apenas seis episódios, mas apesar de alguns deslizes, mais uma vez a Marvel acertou na produção

Por Luciano Bianco

23 abr 2021 às 18:32 • Última atualização 24 abr 2021 às 14:46

Foi ao ar nesta sexta-feira (23) o último episódio de “Falcão e o Soldado Invernal”, produzido pela Disney+ e, apesar de ter um bom conteúdo, peca um pouco com soluções simples e clichês, provavelmente por conta do pouco tempo de tela.

É possível afirmar que seis episódios não foram suficientes e antes de tudo, é preciso alertar que este texto contém spoilers.

A série tem um pouco de tudo, o que ajuda a agradar os fãs da Marvel, mas a forma como tudo acontece soa um tanto acelerada, tomando proporções mundiais em tão pouco tempo.

Apesar de ter um bom argumento, capaz de convencer até mesmo o novo Capitão América, Sam Wilson, os Apátridas crescem de uma forma inexplicável. O curto tempo em que passam de desconhecidos para super organização com pessoas infiltradas em todos os cantos coloca até mesmo a Hydra de escanteio, afinal, eles levaram décadas para se infiltrar nos pontos chaves.

Além disso, o exagero de clichês e momentos em que, por questões de segundos, os vilãos não são desmascarados, também atrapalha um pouco. É impressionante o quanto Sam e Bucky estão sempre um minuto atrasados. Seja para recuperar os soros que criam supersoldados das mãos de Karli Morgenthau antes que Zemo os destrua e que John Carter recupere o último, ou até mesmo para pegar a conversa de Karli e Sharon e finalmente descobrir que ela é o Mercador do Poder. Claro, se esse atraso não ocorre, a série seria ainda mais curta, mas não precisava ser tão clichê assim.

Finalmente Sam Wilson assume o escudo e se torna o novo Capitão América – Foto: Divulgação

Agora sim a parte boa. Como já disse, a série possui uma boa história, a personificação de um novo Capitão América e a forma como retrataram a troca de escudo foi um dos pontos mais interessantes da temporada. Quando Steve Rogers entregou o escudo para Sam, na cabeça de todos ele automaticamente assumiria as listras e se tornaria o novo capitão. Mas isso seria ignorar todo um contexto histórico de racismo, luta e desconfiança que a série apresentou minuciosamente. Até mesmo com o ressurgimento do primeiro supersoldado negro até então apagado da história, aliás, responsável por uma das cenas mais emocionantes quando finalmente é reconhecido.

Vestindo o novo traje, Sam mostra a que veio. Sua fé nas pessoas e sua força em tentar ser sempre melhor para os outros, somados ao seu discurso final ao se apresentar para o mundo como capitão mostram porque ele foi a escolha certa. O fato de apresentarem um ‘sósia’ de Steve como capitão, também mostra que não basta ter a aparência.

Agente Americano finalmente é nomeado no último episódio da série – Foto: Divulgação – Disney+

Outra peça chave da série é a modelação do personagem de Bucky. A busca por redenção, a necessidade de aprovação, mostrar que não era apenas delírio de Steve acreditar que ele poderia ser melhor mostra o quanto ele está empenhado em apagar da história o seu passado como fantoche da Hydra. Além disso, a parceria Sam e Bucky, criada de maneira forçada por um amigo em comum gera bons diálogos e cenas. Uma aproximação e amizade que se faz perceptível nas telas. Nisso os seis episódios acertaram. Não aceleraram a amizade, fizeram acontecer de forma espontânea e muito bem trabalhada.

Série soube trabalhar a parceria entre Bucky e Sam – Foto: Divulgação – Disney+

Outros personagens também deram as caras nessa temporada e cativaram o público. Sharon Carter, sobrinha de Peggy Carter fundadora da S.H.I.E.L.D. e Barão Zemo, ganharam destaque.

Zemo aparece como um dos personagens mais centrados do universo Marvel. Desde a sua primeira aparição em Guerra Civil, até agora, seu único objetivo foi destruir os supersoldados, sem nunca querer tirar proveito do soro. Prova disso é que ele é responsável pela destruição da maioria dos soros, assim como responsável por matar o criador dele. E no final, dá até um jeito de acabar de vez com os supersoldados. Alfred que se cuide, porque o mordomo de Zemo tá se mostrando bem ativo.

Sharon Carter revela ser o Mercador do Poder e, após conseguir perdão do governo, mostra sua real intenção ao voltar para os EUA – Foto: Divulgação – Disney+

Quanto a Sharon, apesar de pouca aparição nos outros filmes, se mostra peça chave nessa temporada e abre brecha para ser aproveitada nas demais produções. Inclusive, é com ela a cena pós-crédito do último episódio, em que, ao conseguir perdão do governo americano, mostra seu lado obscuro e já coloca à venda os possíveis segredos em que colocará as mãos. Essa é uma das cenas que causam desconforto, uma vez que ela é prova viva do estrago que agentes duplos podem causar. Afinal ela viveu na pele a tentativa de tomada de poder da Hydra.

Corte uma cabeça e duas nascem no lugar. O lema, assim como a Hydra, não está morto. Mais um personagem deu as caras, a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, também conhecida como Madame Hydra aparece pouco, mas mostra ter força no governo a ponto de realocar o Agente Americano e mostra que o Universo Cinematográfico da Marvel está se expandindo cada vez mais.

O fato é que, de todo jeito, “Falcão e Soldado Invernal” é série para uma temporada só mesmo, afinal, não existe mais Falcão e se parar e pensar, também não existe mais Soldado Invernal, mas a parceria Sam e Bucky deve render novos capítulos.

Nota: 4,0 de 5,0.

Luciano Bianco

Editor do LIBERAL, está no grupo desde 2006.
Acumula cada vez mais horas com games, fã de séries, filmes e Star Wars (esse último precisa de uma categoria à parte). Vive o eterno dilema de ver mais um episódio ou dormir.

Estúdio 52

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