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Estúdio 52

Crítica: Cavaleiro da Lua

Série explora herói obscuro da Marvel e, apesar de problemas, entrega uma história que deixa o desejo por mais

Por Diego Juliani

04 de maio de 2022, às 21h05 • Última atualização em 04 de maio de 2022, às 21h06

Se tem um aspecto de Cavaleiro da Lua que serviu foi que a série definitivamente acabou com as comparações do personagem e o Batman, da rival DC Comics. O programa do herói da Marvel, que possui transtorno dissociativo de personalidade, avatar do Deus egípcio da Lua, Khonshu, terminou nesta quarta-feira após seis episódios no Disney+, deixando no espectador uma verdadeira montanha-russa de sensações, como as vivenciadas pelo protagonista.

Anunciado no longínquo 2019, o seriado foi vendido ao público como um estudo de personagem que teria atraído o ator Oscar Isaac às adaptações de super-heróis. Ou seja, a princípio, uma minissérie com começo meio e fim, tal qual Loki, mas, que da mesma forma, não se resolve em apenas 6 horas.

A série do deus da trapaça fez tanto sucesso que acabou renovada para uma segunda temporada, o que também deve acontecer com Marc Spector e suas múltiplas personalidades, já que pontas soltas ficaram sem conclusão.

Ao apresentar um mundo de divindades egípcias, cultos e um herói com sérios problemas mentais, envolvendo nomes de peso no processo como Ethan Hawke, que interpreta o vilão, a Marvel tem crédito por tentar oferecer um programa fincado em dramas pessoais, com toques de violência não vistos em um serviço de streaming como o Disney+.

Apesar do pano de fundo fantasioso, a produção se leva a sério e brinca com o espectador o tempo todo sobre o que é real ou fruto da imaginação de Steven Grant, o frágil e estudioso funcionário do British Museum, a primeira personalidade introduzida.

Ao longo desse cenário, por vezes o público é levado a se questionar os rumos da trama, que se aprofunda e desnuda em detalhes as características do protagonista, seus relacionamentos com o elenco de apoio e o embate antagônico.

Porém, ao cavar demais, a série gera a expectativa de que resolveria suas escolhas criativas, e não é o que acontece – falta tempo para fechar o arco principal completamente, e fica a impressão de que a medida é proposital, esperando por uma resposta da audiência para uma segunda temporada.

Cavaleiro da Lua começa de maneira densa, mas arrastada, e no encerramento tenta concluir tudo apressadamente.

Contudo, apesar dos problemas de roteiro e da baixa qualidade dos efeitos visuais em alguns episódios, o seriado carrega em si qualidades inquestionáveis, principalmente na escolha do elenco, que vivencia a história de forma magistral.

Oscar Isaac se divide entre Steven Grant e Marc Spector e entrega a complexidade de um ser humano envolvido pelas artimanhas da própria mente. Por sua vez, May Calamawy, que interpreta sua ex-esposa Layla, é uma grata surpresa, servindo à altura do desafio de elevar cada diálogo – a relação de ambos transmite química e tensão.

Ethan Hawke não deixa por menos. O ator faz de seu Arthur Harrow um personagem caótico, repleto de trejeitos, mas que deixa clara uma motivação além do simples “vamos dominar ou acabar com o mundo”. Sua devoção à Deusa Ammit transcende as aspirações dos vilões tradicionais, fazendo do papel um respiro na comparação com uma galeria de antagonistas sem graça já mostrados pela Marvel.

Outro ponto positivo são os momentos de ação, muitos à la Indiana Jones. A série não se furta de explorar todas as possibilidades dos cenários em que está inserida, e faz do personagem título um condutor importante, revelando poderes por meio das personalidades do avatar de Khonshu de maneira dinâmica e divertida.

E, assim como não entrega um arco totalmente fechado, o que pode ser visto como um dos erros do seriado, Cavaleiro da Lua consegue fazer desse fato um trunfo, afinal, seguir a história de Steven Grant, Marc Spector e seja lá quem mais vier por aí (vide a cena pós-créditos do último episódio) deve ser recompensador. No fim, a produção veio e chamou a atenção, um objetivo que muitos tentam, mas nem todos conseguem.

Nota: 4 de 5

Diego Juliani

Editor do LIBERAL, está no grupo desde 2010. Fã de um bom cinema com pipoca, séries que não dão sono e saudosista dos games dos anos 90, o que já entrega sua idade.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.