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Estúdio 52

‘Bela Vingança’ é uma aula necessária sobre a cultura do estupro

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, longa aparenta ser uma resposta a todos que questionam a importância desse assunto

Por Rodrigo Alonso

13 abr 2021 às 15:06 • Última atualização 14 abr 2021 às 14:52

Faz anos que a chamada “cultura do estupro” é debatida aqui no País, numa tentativa – um tanto frustrante, porém necessária – de conscientização. No entanto, o tema ganhou mais evidência em novembro de 2020, com o tenebroso caso Mari Ferrer.

No caso do Brasil, então, parece que “Bela Vingança” (2020)” não poderia vir em melhor hora. Indicado ao Oscar 2021 de Melhor Filme, o longa produzido nos Estados Unidos aparenta ser uma resposta a todos que ainda questionam a importância desse assunto e a gravidade de atos favoráveis a essa cultura.

Em “Bela Vingança”, Cassandra (Carey Mulligan) passa suas noites indo para boates, onde usa roupas curtas e finge estar bêbada. Seu objetivo é tocar o terror em homens que tentam abusar dela sexualmente, o que sempre acontece.

Dirigido por Emerald Fennell, o filme reflete uma realidade pavorosa, mas também transmite uma ideia de vingança ao mostrar estupradores sendo castigados, diferente do que se vê no mundo real.

Mas, como se sabe, existe uma cultura que praticamente permite esses abusos, e o longa também bate nessa tecla. O crime é visto apenas como um erro ou, até mesmo, uma brincadeira. E toda a culpa recai sobre a vítima, como se ela tivesse dado motivo para ser violentada.

Personagem de Carey Mulligan toca o terror em homens que tentam abusar dela – Foto: Reprodução

“Bela Vingança” disserta sobre tudo isso de forma clara, sem rodeios e com vários exemplos, como se estivesse explicando o assunto para uma criança. Seria impossível ser mais didático. E tudo isso, infelizmente, é necessário, apesar de o filme levantar questões tão óbvias, mas ainda mal interpretadas pela sociedade como um todo.

A obra, porém, não se resume apenas a uma explanação sobre a cultura do estupro. Também há uma boa história, cheia de surpresas e reviravoltas. É um filme que cumpre sua proposta crítica e, ao mesmo tempo, prende a atenção do início ao fim com um enredo bem arquitetado.

Maratona Oscar 2021
Até o dia 24 de abril, véspera da premiação do Oscar 2021, o Estúdio 52 vai avaliar os oito concorrentes ao prêmio de Melhor Filme. Serão publicadas duas críticas por semana, sempre às terças e sábados. Confira os textos já postados pelo blog:

– ‘Judas e o Messias Negro’ carrega história chocante e ótimas atuações

– Mesmo sem querer, ‘Mank’ é o filme mais complexo do Oscar 2021

‘Minari’ desmistifica a ideia do ‘sonho americano’ em meio a uma crise familiar

‘Nomadland’: um retrato sensível e pouco crítico sobre os novos nômades dos EUA

Nota: 3,5 de 5

Rodrigo Alonso

Repórter do LIBERAL, está no grupo desde 2017. É “fifeiro” desde criança e, se puder, passa horas falando de filme e série, então nada melhor do que unir o útil ao agradável.

Estúdio 52

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