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Estúdio 52

‘Hades’ redefine os roguelikes com história envolvente e combate fluido

Título da Supergiant Games é o exemplo perfeito de como não frustrar o jogador em um subgênero que envolve, necessariamente, morrer para aprender a avançar

Por André Rossi

01 fev 2021 às 18:16 • Última atualização 05 fev 2021 às 18:26

Caracterizado pela geração de fases aleatória ou procedural – o que garante sempre uma experiência diferente para o jogador – , o subgênero roguelike é referência de repetição mecânica. Aprenda os padrões, esteja preparado para encontrar todo tipo de inimigo em cada fase e, inevitavelmente, morra no processo e recomece do zero.

Quase dois anos depois de ficar disponível em acesso antecipado para PC, “Hades” teve sua versão final lançada em 17 de setembro de 2020 e, graças a sua excelente narrativa, conseguiu redefinir o subgênero e se tornar interessante até mesmo para quem não gosta do estilo, como eu. Além de PC, o game também está disponível para Nintendo Switch.

A história acompanha Zagreu, filho de Hades, em sua tentativa de fugir do Submundo e alcançar o Monte Olimpo. Como um bom dungeon crowler, é necessário superar os desafios de cada nova sala e enfrentar os mais diversos monstros da mitologia grega.

Como estamos falando de um roguelike, caso você morra durante a aventura, terá de retornar para o início do game. É nesse momento que “Hades” se diferença dos demais títulos do subgênero, pois morrer nunca é frustrante.

Isso porque a cada vez que você retorna ao palácio de seu pai, a história avança e é possível conhecer mais detalhes sobre o universo no qual está inserido. Os NPC’s são cheios de personalidade e ajudam o jogador a entender os mistérios daquele mundo. Aquiles, figura central da Guerra de Troia, é um dos vários NPC’s que ajudam a enriquecer a história do jogo.

O conflito entre pai e filho tem proporções épicas em “Hades” – Foto: Divulgação

Diferentemente de outros roguelikes, você não perde totalmente seu progresso quando morre. Durante a jogatina, é possível acumular recursos que permitirão aprimorar as habilidades do protagonista, seja com mais vida, itens especiais ou novas armas.

O armamento disponível para Zagreu é outro dos pontos fortes do jogo e dialoga diretamente com a narrativa. Espada, arco e flecha, escudo e até uma metralhadora são algumas das armas disponíveis.

Os deuses que você encontra no jogo proporcionam habilidades diferentes para sua arma – Foto: Divulgação

Entretanto, cada tentativa de fuga será diferente, mesmo que você escolha sempre a mesma arma. É nesse momento que entra em cena uma das características mais interessantes do game: a benção dos deuses.

É possível encontrar Zeus, Athena, Ares, Poseidon e outros seres divinos durante a campanha. A cada encontro, eles oferecem uma “benção” ao herói, que pode aplicá-la em sua arma. Existe o ataque simples, especial, magia e dash, que permite a Zagreu se movimentar com mais velocidade.

Cada um desses movimentos básicos pode ser equipado com a benção, o que abre um leque quase infindável de variáveis. Você pode escolher que o golpe da espada, por exemplo, seja acompanhado de raios de Zeus para atingir os inimigos em área. Ou colocar os raios no seu dash e, assim, deixar uma área de destruição para trás.

“Hades” é o mais primoroso jogo da Supergiant Games no aspecto mecânico – Foto: Divulgação

A aleatoriedade do jogo também se faz presente nessa etapa, já que a cada tentativa de fuga, os deuses aparecerão em ordem diferente. Ou seja, é muito difícil repetir a mesma configuração de armamento.

Além de mesclar perfeitamente narrativa e jogabilidade, “Hades” ainda é um ótimo jogo do ponto de vista mecânico. Os trabalhos anteriores da Supergiantes Games (“Bastion”, “Transistor”) já traziam um excelente gameplay, mas esse novo trabalho se diferencia pela fluidez dos movimentos e pela excelente navegação.

Diversas personagens da mitologia grega cruzarão o seu caminho, como Zeus – Foto: Divulgação

Há um último elemento a se destacar no game: o carisma de todas as personagens, sem exceção. Além do belo design, os antagonistas e aliados que cruzam o caminho de Zagreu transbordam personalidade, tanto pelo impacto visual quanto pela dublagem; o game não tem opção de áudio em português, mas conta com legendas no nosso idioma.

Aprenda as mecânicas, aproveite a história e encare os desafios do Submundo grego. “Hades” é um dos melhores jogos de 2020 e merece ser apreciado.

NOTA: 5 de 5

André Rossi

Repórter do LIBERAL, está no grupo desde janeiro de 2019. Sempre em conflito por não saber o que priorizar: a eterna lista de filmes que só aumenta, as séries pendentes que não dão descanso, ou o backlog de RPG’s que nunca termina.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.