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Estúdio 52

‘Alma de Cowboy’ – crítica

Longa-metragem, uma das novidades do catálogo da Netflix em abril, derrapa ao apresentar a rica cultura dos cavaleiros urbanos da Filadélfia

Por Diego Juliani

05 abr 2021 às 16:18

Como estabelecer todas as nuances de uma relação entre pai e filho, e ao mesmo tempo apresentar a história real de um legado e a luta de uma comunidade contra a marginalização de sua cultura?

Basicamente é isso que tenta o novo filme da Netflix, “Alma de Cowboy” (pessimamente traduzido do original Concrete Cowboy), estrelado por Idris Elba (Esquadrão Suicida, também um dos produtores) e Caleb McLaughlin (Stranger Things).

Longa estreou na Netflix no último dia 2, e é inspirado no livro “Ghetto Cowboy”, de G. Neri – Foto: Jessica Kourkounis_Netflix

O longa-metragem, que estreou na plataforma de streaming no último dia 2 (sexta-feira), é inspirado no livro “Ghetto Cowboy”, de G. Neri, e tem direção do estreante Rick Staub, cuja busca foi tentar contar a realidade dos estábulos da Rua Fletcher, na Filadélfia, onde vive uma comunidade negra que cuida de cavalos e tem um estilo de vida bem peculiar em relação ao restante de uma cidade que evolui abraçando a modernidade, num contraste às tradições defendidas pelos “cowboys”, como a família, o cotidiano simples e o amor pelos animais.

Relação entre cole e Smush é um dos pontos altos do filme – Foto: Aaron Ricketts_Netflix

Para descortinar esse contexto, o roteirista Dan Walser faz uma escolha óbvia ao abordar a narrativa de amadurecimento de Cole, um adolescente que após ser abandonado pela mãe, cansada de seus problemas de comportamento, se vê sem nada na porta da casa do pai, Harp (Idris Elba), com quem nunca foi próximo.

Enquanto procura entender o mundo ao seu redor, o jovem se envolve com gangues e o tráfico de drogas, ao retomar o contato com um antigo amigo, Smush, interpretado por Jharrel Jerome (Moonlight).

Ali ele passa a perceber que rumo sua vida pode tomar, e essa escolha de caminhos e sua reaproximação com o pai, norteiam uma trama apegada a previsibilidade inerente a esse tipo de narrativa, sem, contudo, e por mais estranho que pareça, se aprofundar na escolha. No final das contas, a história principal teria mesmo que ser sobre a comunidade.

Filme mostra jovem tentando se encontrar em uma relação conturbada com o pai – Foto: Jessica Kourkounis_Netflix

Apesar do esforço de direção, e existem bons momentos aí, como a linda fotografia de paleta alaranjada, e momentos que lembram videoclipes (a apresentação entre Cole e Smush) num cenário urbano que deixa transparecer a decadência daquele estilo de vida, o filme se perde onde deveria crescer: a falta de profundidade do roteiro.

Tudo parece faltar explicação – e esse recurso às vezes pode ser interessante para abrir interpretações – porém, não é o caso aqui.

Pouco se entende das motivações, rasas, do personagem de Idris Elba – numa atuação contida e pouco inspirada – e, da mesma forma, a história deixa lacunas a respeito da comunidade. As cenas de conversas ao redor da fogueira até ajudam, mas sempre fica a sensação de que se poderia mais.

A dinâmica entre Cole e Smush “salva” boa parte do longa-metragem. Caleb e Jharrel estão confortáveis naquele ambiente e se entregam aos personagens. O ator de “Stranger Things”, inclusive, apresenta facetas desconhecidas de seu trabalho, e consegue brilhar.

A trilha sonora de Kevin Matley mescla sons urbanos e acordes dos antigos filmes de faroeste, oferecendo ao espectador uma ambientação digna e poderosa da obra, outro ponto positivo.

“Alma de Cowboy” não fala sobre homens brancos, pistoleiros, cidades no meio do nada e saloons. Explora uma relação conturbada entre pai e filho, tendo como fundo as ruas da Filadélfia, e o esforço das pessoas em preservar sua forma de viver. No fim, inverte prioridades e não entrega como deveria nenhuma das histórias.

Isso fica claro no início dos créditos, quando é revelado que muitos dos atores, são, na verdade, cavaleiros reais da Rua Fletcher. Se melhor explorados, com certeza dariam rumos mais fortes ao longa-metragem por meio de suas ricas vivências.

Nota: 3 de 5

Diego Juliani

Editor do LIBERAL, está no grupo desde 2010. Fã de um bom cinema com pipoca, séries que não dão sono e saudosista dos games dos anos 90, o que já entrega sua idade.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.