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Histórias de Americana

Era uma vez!

Por Jefferson Luis Rodrigues Bocardi

02 Maio 2019 às 09:18 • Última atualização 28 abr 2020 às 09:19

Era uma vez um menino de mais ou menos 7 anos de idade, nascido no continente africano, e que fora escravizado. Este menino, trocado por uma caneca de ferro, foi levado aos porões de um navio e acorrentado até aportar em terras estrangeiras.

O menino, então, foi vendido e trazido para o interior do estado de São Paulo, na região de Campinas, onde serviu até a abolição da escravatura. Durante o período em que foi cativo, perdera um braço, em um acidente com a queda de uma árvore.

Após a abolição, este menino, já homem feito, passa a trabalhar para os colonos – imigrantes italianos, agora proprietários de terras.

Frequentemente, ia até Villa Americana, onde comprava carretéis de linha, retalhos, e miudezas em geral para os sitiantes, sendo conhecido como correiero.

O nome do menino era Dionysio de Campos, o homem que serviu como escravo na Fazenda Salto Grande, de propriedade de Francisco de Campos Andrade.

Dionysio falece no sítio da Barroca em 1932, vítima de marasmo senil, aos 80 anos de idade, vindo a ser sepultado no Cemitério da Saudade.

Sua foto permaneceu pendurada por vários anos nas dependências do Museu Histórico e Pedagógico Dr. João da Silva Carrão, onde muitos o olharam sem saber sua história.

Em meio a contos de saudades regados de luta e suor pela terra, pairou o olhar triste de um senhor descalço que, ao menos em sua última morada, teve um pedaço de terra para seu descanso.

*Jefferson Luis Rodrigues Bocardi é membro do grupo Historiadores Independentes de Carioba, dedicado à pesquisa histórica sobre Americana

Historiadores de Carioba

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