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Cotidiano & Existência

Devaneios

No artigo do blog Cotidiano & Existência, professora Gisela Breno clama delicadezas e compaixão

Por Gisela Breno

16 mar 2021 às 10:38 • Última atualização 16 mar 2021 às 10:39

Se houvesse uma máquina do tempo gostaria de ser transportada não somente para uma época, bem como para um lugar onde a beleza de ser e existir estivessem impressas e expostas no viver das pessoas.

Meus olhos andam fatigados por buscas incessantes de delicadezas, compaixão, tolerância gravadas no DNA humano, mas frequentemente impraticadas.

Diante deles desfilam criaturas fragmentadas, impregnadas por egoísmos, pela paralisia da reflexão, pela atrofia da sensibilidade, pela ditadura e exaltação do ter, que transforma tudo e todos em mercadorias descartáveis.

Queria na relva macia da existência dar a mão a uma criança e a outra aos encantos e mistérios da Natureza. Saltitantes, iríamos os três pelas estradas que conduzem à verdadeira essência.

Encontraríamos sim muitas pedras nesses caminhos, mas inebriados pelo Belo, delicadamente colocaríamos cada uma delas num lugar seguro para os tantos viajantes que já têm os pés manchados de sangue.

Tomados pelo cansaço, procuraríamos um lugarzinho na sombra das árvores frondosas que, além de frescor, gratuitamente nos ofereceria frutos suculentos. Em seguida, como fazem as crianças, dormiríamos, encostados uns nos outros para acordarmos novamente para a Vida.

E quando anoitecesse, olhando e contando as estrelas, com o cuidado de não apontar o dedo pra elas para não crescerem verrugas, ainda teríamos disposição para corrermos de braços aberto e olhos fechados para sentir no corpo e na alma a brisa macia que o Universo sopra em todos que lançam os fios da sua existência em direção ao majestoso Tapete Cósmico.

Gisela Breno

Professora, Gisela Breno é graduada em Biologia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e fez mestrado em Educação no Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo). A professora lecionou por pelo menos 30 anos.