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Histórias do Coração

Camila e Denis

Fico me perguntando se, em uma cidade pequena, é mais fácil de se encontrar o amor. Uma vez que o mapa é menor, em quantos pontos da cidade é possível começar uma história de amor?

Por Carla Moro

06 jun 2021 às 10:12 • Última atualização 06 jun 2021 às 10:29

Camila e Denis - Foto: Arquivo pessoal

As histórias de amor podem começar em qualquer rua, esquina ou bairro. Desconfio de que se fosse possível desenhar um mapa com os pontos onde cada casal se encontrou pela primeira vez, não haveria um ponto vazio sequer na cidade. Cada centímetro do mapa estaria tomado pelo amor. Um viajante atento que olhasse para esse mapa, saberia que todos os caminhos eram caminhos de encontro.

Americana ocupa uma área de 133,630 quilômetros quadrados, dos quais 50,750 quilômetros quadrados representam o chamado perímetro urbano. O ponto da cidade em que a Camila e o Denis se viram pela primeira vez é um ponto dentro de todos esses quilômetros quadrados, mas é também um ponto de encontro no mapa imaginário que estamos traçando.

Fico me perguntando se, em uma cidade pequena, é mais fácil de se encontrar o amor. Uma vez que o mapa é menor, em quantos pontos da cidade é possível começar uma história de amor?

De segunda a sexta, bem cedo, a Camila e o Denis se cruzavam atravessando a Avenida Brasil. Ela trabalhava no bairro onde ele morava. Ele trabalhava no bairro onde ela morava. Os caminhos que se uniam naquele ponto específico da cidade indicavam aos dois que havia uma história prestes a começar. Por não saber como demonstrar à moça o seu interesse, o Denis dizia a um amigo do trabalho: “amanhã eu vou dar bom dia pra ela”. Mas o amanhã chegava e a coragem não aparecia.

Foi então que eles se encontraram na missa. O pai do Denis e a pessoa que acompanhava a Camila eram amigos. Havia, assim, mais pontos em comum nesse mapa. Em 2009, o Denis conseguiu encontrar a Camila no Orkut quando descobriu os amigos em comum. No começo, a Camila achou o Denis insistente, mas, em 2010, o amor já tinha encontrado o seu caminho e eles começaram a namorar.

Um viajante entende que de nada adianta um mapa se não se sabe ao certo para onde ir. Foi preciso caminhar um pouco até que a Camila percebesse que o Denis era o seu caminho certo. Ela me diz que se perguntou: “e se não fosse o Denis, seria outra pessoa?”. Nenhum ponto é de encontro se ninguém está a nossa espera. É preciso o lugar certo, a pessoa certa, o tempo certo. Não fosse o Denis e não seria outra pessoa, a Camila responde a mim e a si mesma.

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O casamento aconteceu na Igreja de São Domingos Sávio, no Jardim São Paulo, o bairro onde ficava o ponto de encontro do nosso mapa. A Camila sonhava em se casar com sol, mas o dia 19 de agosto foi um dia de muita chuva e frio, com exceção do momento em que ela chegou na igreja, quando nenhuma gota de chuva caiu. E essa noiva que prezava pela pontualidade quase perde a hora quando o carro em que estava foi parado pela polícia. O Denis me diz que o casamento, essa mistura de alegria e euforia, é tão bom que ele deveria ter se casado antes com a Camila.

Segurando o mapa nas mãos, ele sabia onde deveria esperar por ela. Aqueles que ainda não encontraram o ponto certo do mapa, seguem buscando, como viajantes dentro da própria cidade. Parados, com um mapa nas mãos, torcem para que estejam no caminho certo, assim como estavam a Camila e o Denis naquele momento em que se cruzaram na Avenida Brasil.

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colunahistoriasdocoracao@gmail.com

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com