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Histórias do Coração

Aparecida e Gildo

O ponto da Avenida Campos Sales em que a Aparecida e o Gildo se cruzavam todos os dias por dois anos é o ponto da cidade guardião dessa história

Por Carla Moro

24 Maio 2021 às 09:57 • Última atualização 24 Maio 2021 às 09:58

Em 1963, em um banco da Praça Comendador Müller, no centro de Americana, a Aparecida disse ao Gildo que, embora não soubesse quais eram as intenções daquele moço, queria deixar bem claro que, se fosse para perder tempo, eles parariam ali mesmo, sem nem mesmo começar. Como conto essa história agora, já se pode imaginar que o Gildo tinha as melhores das intenções.

Aparecida e Gildo começaram a namorar no dia 3 de novembro de 1963, na Praça Comendador Müller, no centro de Americana. Na década de 1960, a praça certamente foi cenário para o início de muitas histórias de amor. Na noite do dia 3, a Aparecida e o Gildo estavam sentados em frente ao grupo escolar Dr. Heitor Penteado, que na década de 1980, daria lugar à Biblioteca Municipal. Em frente à Praça, era possível ver o Cine Cacique, inaugurado no fim de 1950.

Aparecida e Gildo – Foto: Arquivo Pessoal

Uma cidade é formada por seus prédios, ruas, colégios e cinemas. Uma praça pode servir de pretexto para amizades e amores que começam. As casas guardam seus próprios segredos e histórias, os cemitérios guardam os lamentos e os parques guardam as risadas. Quando digo guardam, é porque são mesmo guardiões da história da cidade, mas não fossem as pessoas para viver essas histórias e os prédios, as ruas, os colégios e os cinemas não passariam de um amontoado de tijolos.

Por dois anos antes de começarem a namorar, Aparecida e Gildo se encontravam bem cedo na Avenida Campos Sales. Enquanto um subia a avenida, o outro estava descendo. Ambos estavam indo trabalhar, mas trabalhavam em lados opostos. A Avenida Campos Sales, como se sabe, tem pouco mais de 3 quilômetros de extensão. Quantas pessoas passavam por ela, subindo ou descendo, no início da década de 1960? Quantas delas formariam um casal que permaneceria junto por 42 anos?

Aparecida e Gildo casaram-se em 25 de setembro de 1965, ao meio-dia, na Paróquia do Senhor Bom Jesus, no Jardim Girassol. A festa do casamento foi no quintal da mesma casa onde eles morariam juntos por toda a vida, até que a Aparecida ficasse viúva, há quase 14 anos. Tiveram 3 filhos, 7 netos e uma bisneta, que nasceu em 2018.

Em 1963, no dia 2 de novembro, Dia de Finados, Aparecida estava em frente ao Cemitério da Saudade quando um amigo do Gildo veio até ela. O rapaz trazia um recado: caso a moça não aceitasse se encontrar com o Gildo no dia seguinte, ela não deveria mais olhar para ele quando se cruzassem na avenida. Aparecida foi se encontrar com o Gildo no dia 3 de novembro, um domingo. Domingos na Praça Comendador Müller costumavam ser dias propícios para histórias de amor que estavam por começar.

O ponto da Avenida Campos Sales em que a Aparecida e o Gildo se cruzavam todos os dias por dois anos é o ponto da cidade guardião dessa história. A casa onde aconteceu a festa de casamento e onde viveram por 42 anos foi o segundo guardião. Não fosse a Aparecida e o Gildo para viverem juntos essa história de amor, e esses lugares não passariam de um amontoado de tijolos e asfalto. Nenhuma cidade é construída sem as pessoas que moram nela. Nenhuma história de amor acontece sem que duas pessoas possam vivê-la, assim como fizeram a Aparecida e o Gildo.

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com