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Agonia de um velho amigo

Por Carlos Roberto Bertollo

27 Janeiro 2022, às 07h24

No início da década de 1960, morávamos na Rua Bororós, na Vila Conserva, em Americana, e me lembro com muita saudade e alegria os tempos de infância. Um dos divertimentos preferidos era o Ribeirão Quilombo, que ainda não tinha sido retificado. Para chegar ao local, meu pai Domingos Bertollo nos levava a pé pela Rua Bororós, sentido linha férrea da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Sobre ela, uma passarela de ferro com assoalho de madeira acessava ao outro lado da linha. Dali, passávamos pelo campo do Jabaquara, Colônia Santa Eliza e uma ponte de madeira sobre o ribeirão acessava a estrada da Fazenda Machadinho. Em suas águas límpidas, as donas de casa da Colônia Santa Eliza lavavam suas roupas nos batedores de madeira. Nos dias quentes, o lazer era nadar e fazíamos isso com frequência.

E como era bom brincar naquelas águas. Com meu saudoso pai e meu irmão Claudio Bertollo, pescarias eram divertidas e produtivas. Lambari, piava, tabarana, bagre, mandi chorão, peixe espada e outros apareciam em grandes quantidades.

Os córregos Santa Angélica e Recanto, que desaguam no ribeirão, eram outros locais excelentes para pescaria. Em pouco tempo tínhamos mistura para vários dias. Três décadas se passaram e o ribeirão e seus afluentes foram sofrendo com a poluição. Em 1990, levei meu filho Maicon Alexandre Baron Bertollo, que na época estava com 6 anos, para ver o ribeirão e falar da minha infância. Admirado, ele exclamou: “Nossa pai, o ribeirão está com a água suja”.

Três décadas se passaram e a agonia do ribeirão aumenta a cada dia. No mês de novembro do ano passado passei com o neto Pedro Bertollo Martins Carvalho, de apenas 5 anos, próximo ao ribeirão e ao sentir o forte cheiro lhe perguntei: “Pedro, de onde vem esse cheiro?”. Ele me respondeu: “Do rio, vovô. As pessoas jogam lixo no rio e ele está triste, sujo e doente. Precisa dar remedinho para ele”.

E devemos ter consciência e praticar boas ações. Se agirmos desta forma vamos ajudar a combater a poluição e preservar o ambiente.

Carlos Roberto Bertollo é estudioso da lenda de Ícaro e criador de réplicas de aeronaves

Colaboração

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