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Carreira & RH

A ‘gostosona’ e a banalização da imagem da mulher

Ao falar de objetificação do corpo, estou me referindo à total banalização da imagem da mulher frente a uma atividade profissional

Por Marcos Tonin

21 de maio de 2023, às 10h20 • Última atualização em 21 de maio de 2023, às 10h21

Mesmo com os avanços que tivemos na indústria do marketing e publicidade nos últimos anos, dos movimentos de apoio à equidade salarial, paridade de responsabilidades corporativas e da não estereotipação do corpo da mulher, fui impactado recentemente ao estar presente na maior feira de negócios automotivo em reposição e reparação da América Latina no Brasil e encontrar AINDA as “gostosonas” com decotes pra lá de extravagantes, fendas e macacões que “envelopam” as mulheres em estandes de várias empresas.

Ao falar de objetificação do corpo da mulher, estou me referindo à total banalização da imagem da mulher frente a uma atividade profissional. Veja, não estou dizendo que a presença de mulheres bem arrumadas, alinhadas e asseadas no ambiente de trabalho seja dispensável, na verdade essas máximas servem para qualquer tipo de profissional independentemente do gênero, o que estou falando é sobre o uso ainda de algo “chulo” como ferramenta de relacionamento com o cliente e branding.

Em um momento em que no Brasil a frota de veículos usados só aumenta e a necessidade de manutenção e troca de peças se faz importante, mais vale uma boa oferta e o desenvolvimento de um novo parceiro/fornecedor do que uma mulher com os seios quase à mostra que lhe entregue um brinde.

Acredito que a reflexão seja importante tanto para as áreas de marketing como para a de governança e RH das companhias. Uma decisão desta passou por aprovações e, por incrível que pareça, minimamente por um ou mais diretores. Diretores estes, que em breve farão novas contratações, promoções e reconhecimentos no time interno e é aí que fico mais preocupado.

Como essas contratações e reconhecimentos são feitos? O mesmo diretor que aprova um seio quase à mostra numa feira é capaz de ser imparcial numa promoção entre homem e mulher no dia a dia? É capaz de reconhecer como páreo os esforços dos gêneros?

São muitas as perguntas que não podem mais ser desconectadas e tratadas com imparcialidade. Estamos tendo discussões sobre ESG, GPTW, equidade de gênero e, acima de tudo, sobre respeito.

Estudos já publicados na área de psicologia dizem que mulheres que vivem em ambientes de objetificação tendem a se auto objetificar e também a objetificar outras mulheres, sofrendo, assim, de grandes danos de autoestima e de socialização, se tornando menos ativas social e economicamente.

Que tipo de empresa ainda acredita que suas ações de relacionamento com a marca são pautadas apenas em desejos sexuais e esteriotipação seja do homem ou da mulher?

Espero que os profissionais de RH, governança, compliance e marketing destas companhias consigam romper as barreiras que ainda apoiam esta cultura danosa e reforcem em seus valores e práticas atitudes mais positivas e respeitosas às mulheres e às suas ações de relacionamento com o cliente. 

Marcos Tonin
Executivo de RH e Coach C-Level
tonin.marcos@gmail.com

Marcos Tonin

Marcos Tonin, especialista na área de gestão e liderança, fala sobre mercado de trabalho em textos quinzenais