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Cotidiano & Existência

A gosto

Leia o artigo desta semana da professora Gisela Breno

Por Gisela Breno

10 de agosto de 2021, às 10h55 • Última atualização em 10 de agosto de 2021, às 14h03

Na época das grandes navegações, em Portugal, no século XVI, agosto era o mês em que as caravelas das expedições colonizadoras partiam para o Novo Mundo buscando novas terras.

Conta a história que as namoradas dos navegadores nunca marcavam a data do casamento no oitavo mês do calendário porque poderiam enviuvar ou ficar sozinhas. Diziam então que casar em agosto traria desgosto.

Na antiguidade, a constelação de Leão era mais visível nessa época do ano, e isso fazia as pessoas acreditarem que havia um dragão no céu nesse período.

Alguns acontecimentos trágicos para a humanidade ajudaram a confirmar essa crença, como a segunda guerra mundial, o ataque a Hiroshima, a construção do muro de Berlim e outros como no Brasil, a morte de Jânio Quadros e Getúlio Vargas.

Deve ter gente que ainda carrega esse medo na proa do seu barquinho, que navega pelas águas turbulentas da vida.

Eu, que estou a caminho de dobrar o Cabo da Boa Esperança, aprendi há tempos que agosto e os demais onze meses devem ser vividos com muito, mas muito gosto, mesmo que as tempestades da existência nos coloquem à deriva.

Só vivendo e até mesmo sobrevivendo com gosto conseguiremos aquecer as sementes da esperança na estufa do nosso inverno para que elas brotem e floresçam em nossas primaveras.

A nossa passagem pelo Universo é breve, muito breve para deixarmos que ervas daninhas barrem o desejo de sermos nós mesmos, independentemente do que o outro vá pensar ou dizer. Urge retirá-las dos nossos canteiros para que as flores da liberdade deem colorido a nossa essência.

E enterrando uma outra crença, a de que agosto é o mês de cachorros loucos, entendamos que, na verdade, loucos são todos aqueles que não agarraram, não morderam, nem tampouco saborearam o mel da existência porque o fel a vida constantemente nos oferece.

Gisela Breno

Professora, Gisela Breno é graduada em Biologia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e fez mestrado em Educação no Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo). A professora lecionou por pelo menos 30 anos.