Projeto contra o racismo de escola estadual recebe prêmio

Clube juvenil Naturalmente Cacheadas, da Escola Estadual Professora Leila Mara Avelino, levou para casa R$ 1,5 mil


Um projeto desenvolvido em uma escola estadual de Sumaré recebeu prêmio nacional em reconhecimento ao trabalho realizado na valorização da identidade afro. O clube juvenil Naturalmente Cacheadas, da Escola Estadual Professora Leila Mara Avelino, recebeu R$ 1,5 mil do Desafio Criativos da Escola 2018, que busca reconhecer iniciativas de estudantes dentro de questões sociais.

O trabalho teve início a partir de uma observação de três alunas sobre práticas racistas no ambiente escolar e o efeito delas sobre a autoestima dos estudantes negros. Elas identificaram, por meio de questionários aplicados a cerca de 300 alunos, que a prática de piadas sobre os cabelos era recorrente. Da mesma forma, apesar da maioria dos alunos entrevistados serem negros, apenas 18% se declaravam pardos e 23% pretos.

Foto: Divulgação
Projeto contra o racismo foi desenvolvido por alunos da escola Leila Mara Avelino

Para a estudante Ana Beatriz Aurélio Maluf, de 13 anos, os dados apontavam para uma negação da própria identidade ligada ao racismo. Uma das formas de negar a própria raça se dava por meio do alisamento do cabelo. As alunas então propuseram um grupo de discussão para acolher os estudantes e discutir a história africana. Desde março do ano passado, os 34 alunos se reúnem mensalmente.

Com a verba obtida no mês passado por meio da premiação, o grupo vai comprar uma câmera. A ideia é produzir conteúdo para as redes sociais e disseminar as informações discutidas. “É um projeto muito importante para as meninas entenderem sua afrodescendência. Temos uma imagem da África pobre, com doenças, e tentamos desconstruir isso. Pedimos para elas escreverem como foi o ano junto ao clube, e a maioria disse que é como uma família”, afirmou a estudante.

Dos 34 participantes, 33 são mulheres. Boa parte deu início à transição capilar, que consiste na interrupção do alisamento para a aceitação dos cachos. Ana Beatriz contou que ela mesma passou pela transição.

“Dos 4 aos 8 anos eu alisava o cabelo quimicamente. Minha madrasta falava para deixar natural, e no começo eu não queria. Mas passei a deixar e foi uma superação. Isso melhora nossa autoestima e empodera”, destacou a estudante.

Como a escola tem jornada em período integral, os alunos são estimulados a criar grupos de atividades para desenvolvimento pedagógico e social, os chamados clubes juvenis.

Prêmio
Foram inscritos 1.654 ações de todo o Brasil na edição 2018 do Desafio Criativos da Escola. Desses, 11 foram selecionados, incluindo o Naturalmente Cacheadas. Além do prêmio em dinheiro, os projetos também foram contemplados com uma viagem. Três alunos de cada grupo estiveram em Fortaleza (CE) participando de atividades conjuntas, onde puderam trocar experiências e fortalecer os projetos. O Desafio Criativos da Escola é uma iniciativa do programa Criativos da Escola, do Instituto Alana.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!