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Sumaré

MP apura contratações semelhantes para serviço na educação em Sumaré

Prefeitura contratou empresa para fornecer software para sistema de aulas remotas, mas serviço já estava sendo prestado no município

Por Marina Zanaki

03 ago 2021 às 12:08

O Ministério Público de Sumaré está apurando denúncias feitas por servidores da educação que apontam para indícios de contratação de um serviço em duplicidade. Um documento assinado por 11 profissionais da educação municipal aponta que o serviço de fornecimento de um software para realização de aulas remotas foi contratado duas vezes pela prefeitura.

Em julho de 2020, a prefeitura assinou um termo aditivo no valor de R$ 117 mil com uma empresa que já prestava serviços de informática para a Secretaria de Educação por um preço anual de R$ 588 mil por ano. Na ocasião, foi destacado que a empresa atendia às demandas da pasta, mas que diante da pandemia e do ensino remoto, era necessário implantar novos módulos para a realização do ensino à distância.

Em setembro do ano passado, contudo, uma nova licitação foi aberta para contratação de uma empresa que forneceria profissionais para monitoria de informática, suporte técnico e um software com módulos para aulas remotas. A empresa Pauta Editora Educacional foi contratada pelo valor anual de R$ 3,7 milhões.

O alto valor chamou a atenção do professor Enio Lopes Magalhães dos Santos, que atua na rede municipal da cidade. Mesmo após a assinatura da ordem de serviço, em fevereiro deste ano, as ferramentas utilizadas no ensino remoto continuaram as mesmas.

“Consultamos professores de várias escolas do município, se viram essa ferramenta. Ninguém teve acesso, ninguém utilizou, tanto que vários professores, de escolas diferentes, assinaram junto a denúncia. É um absurdo porque é dinheiro público que está sendo torrado, e nesse primeiro semestre continuamos usando a mesma ferramenta que usávamos no ano passado e já era fornecida pela outra empresa”, declarou Enio.

O professor disse que cerca de 50 monitores fornecidos pela Pauta Editora Educacional estão de fato atuando na rede municipal. Contudo, fez um cálculo do valor total do contrato por mês, na casa dos R$ 312 mil, e chegou a um salário de R$ 6,2 mil por profissional. “A conta não bate nunca”, opinou o professor.

A Prefeitura de Sumaré foi questionada sobre os indícios apontados pelos servidores, mas respondeu apenas que foi notificada da denúncia e está apurando os fatos. A Pauta Editora Educacional respondeu ao LIBERAL, por meio de sua página nas redes sociais, que não possui conhecimento dos fatos. “Por esse motivo, aguardaremos a notificação oficial para quaisquer esclarecimentos”, declarou.

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