Em Sumaré, Vila Soma ganha módulo de saúde

Equipamento foi montado com objetivo de resolver dificuldade de acesso ao pré-natal, que foi alvo de inquérito do MPF no município


Uma das maiores ocupações do País, a Vila Soma, em Sumaré, passou a ter um módulo de saúde. Inaugurado em fevereiro, o equipamento conta com uma médica e equipes de enfermagem atuando com foco na saúde da mulher. Nos dois primeiros meses foram realizadas 117 consultas médicas e 1.308 cadastros individuais. São cerca de 10 mil pessoas vivendo na ocupação.

O módulo foi montado pela prefeitura para tentar resolver problemas nos pré-natais e que foram apontados pelo MPF (Ministério Público Federal) em um inquérito civil. De acordo com a coordenadora do projeto, Vanessa Martins de Souza Rodrigues Pereira, Sumaré registrava problemas frequentes em nascimentos e, inclusive, óbitos neonatais.

Essa situação estava ligada a falhas do pré-natal. Constatou-se que a cidade tinha níveis de cobertura comparáveis ao semiárido – apenas 15% das gestantes realizavam todas as sete consultas e os dois kits de exames preconizados.

A Vila Soma figurou entre os locais com mais problemas de acesso ao pré-natal. Um dos motivos é a dificuldade dos moradores em se locomoverem à unidade referência para a comunidade – o CS (Centro de Saúde) 2, no Centro – que fica a seis quilômetros dos fundos da ocupação. Além disso, essa unidade já atende no limite da capacidade, sendo referência para 38 mil pessoas.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Médica e as enfermeiras com foco na saúde da mulher

Com a instalação do módulo foram convocadas todas mulheres com menstruação atrasada. Gestantes com menos de 20 semanas e que faziam pré-natal no CS2 foram transferidas ao módulo de saúde. Atualmente, há 40 mulheres grávidas sendo atendidas pelo projeto. Apenas os exames seguem sendo feitos fora da Vila Soma.

Foi observada também uma grande procura por métodos contraceptivos. Além da distribuição de preservativos, foram feitas reuniões de grupos de planejamento familiar para abordar as opções disponíveis.

“Ao menos 60 mulheres já passaram pelos grupos e entraram com o contraceptivo. Vimos que a abertura de pré-natal caiu muito. O CS2 abria em média seis novos por semana daqui. Depois que viemos para cá, abrimos essa quantidade em dois meses”, explicou Vanessa, que é da Gerência Regional de Atenção Básica da Secretaria de Saúde.

Dentre os desafios agora estão as consultas pediátricas e um dentista. Já estão sendo feitas orientações odontológicas, mas há necessidade de um profissional para atendimentos clínicos.

Coordenador fala em resgate da cidadania

O módulo de saúde funciona na sede da coordenação da Vila Soma, que cedeu uma sala para atendimentos médicos e outra para aplicação de vacinas, além de espaço para recepção.

Coordenador da ocupação, Edson Gordiano da Silva lembrou que há alguns anos os moradores do Soma sofriam preconceito ao buscarem atendimento em unidades de saúde da cidade. Ele acredita que o modulo de saúde é mais um passo no caminho para que a comunidade conquiste cidadania e reconhecimento.

“Foi um passo muito grande. Hoje tem farmácia, mercado, várias coisas que ajudam aqui dentro. O módulo de saúde foi a gota que precisava para atender nossa comunidade”, destacou.
A autônoma Tatiana Paulino da Silva, de 28 anos, passou por duas consultas no CS2 antes da abertura do módulo de saúde. No terceiro mês, foi realizada a transferência para a Vila Soma.

“Realmente é mais difícil. É longe, e quando chovia não dava pra ir, por conta da lama. Eu não teria mesmo como ir, ia perder a consulta”, contou. O módulo de saúde foi implantado após reuniões realizadas entre o final do ano passado e o início deste ano entre representantes da prefeitura, a promotora pública Luciane Lo Ré, do Ministério Público de Sumaré, e o procurador federal Aureo Marcus Lopes, do MPF.

Em uma das atas das reuniões, realizada em novembro de 2018, consta que “foi determinada pelo MPF a abertura de um inquérito para acompanhamento das medidas de saúde desenvolvidas pela Prefeitura de Sumaré na área da Vila Soma, tendo em vista a repercussão nacional do caso”, referindo-se à decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu reintegração de posse, em 2016. Essa liminar foi cassada e foi apresentado recurso.

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