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Em Sumaré

Adolescente é o 4º suspeito morto pela PM em 20 dias

Rapaz de 17 anos estava em carro que havia sido roubado pouco antes do ocorrido, segundo a Polícia Militar

Por George Aravanis

04 Maio 2020 às 21:55 • Última atualização 04 Maio 2020 às 22:00

Um adolescente de 17 anos, suspeito de roubo, foi morto pela PM (Polícia Militar) na manhã desta segunda-feira (4), no Jardim Santa Terezinha, em Sumaré. É o quarto caso classificado como morte em decorrência de intervenção policial na cidade em 20 dias – em todos os três primeiros meses do ano, por exemplo, foram três.

A SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) informou que os quatro episódios estão sob investigação nas Polícias Civil e Militar.

De acordo com o registro da Polícia Civil, Felipe dos Santos Silva foi morto por volta das 8h. Policiais Militares da Força Tática informaram que viram um Fiat Fiorino com adesivos de uma empresa de comércio eletrônico com duas pessoas em “atitudes suspeita”.

A polícia mandou a dupla parar, mas ambos fugiram. Na fuga, o veículo atingiu uma pilastra e os dois fugiram a pé e entraram em um canavial, segundo a versão oficial. O adolescente foi atingido e não resistiu aos ferimentos. O outro suspeito conseguiu fugir.

De acordo com o que consta no registro da Polícia Civil, foi encontrado com ele um revólver calibre 38 com três cápsulas deflagradas. Não consta do boletim de ocorrência, porém, se os policiais viram ou ouviram o suspeito disparar.

O veículo que estava com eles havia sido roubado momentos antes, na mesma rua, enquanto fazia entregas, segundo a polícia. Três porções de maconha foram localizadas nas roupas do adolescente.

Especialista em segurança pública, José Vicente da Silva Filho (que é coronel reformado da PM) diz que o número realmente é “muito alto”, mas que as mortes podem ter resultado de confrontos “justificáveis”, o que será apurado.

“O policial pode atirar quando há evidência de ameaça a sua vida ou terceiros. Basta apontar ou tentar apontar a arma que os tiros são justificados. Até um ataque com uma barra de ferro ou de pau pode justificar o tiro. Tudo vai depender das testemunhas e evidências técnicas.”

A SSP informou que trabalha para reduzir os casos de morte decorrente de intervenção policial. “Todas as ocorrências do tipo são investigadas por meio de IP pela Polícia Civil e também por IPM instaurados pelos Batalhões das Áreas, pelo DHPP ou Delegacias de Investigações Gerais (DIGs), no interior, pelas Corregedorias e comunicadas ao Ministério Público”, informou a secretaria, em nota.

“A fim de garantir maior transparência nas investigações, a pasta editou a Resolução SSP 40/2015, que determina o comparecimento no local dos fatos das Corregedorias e dos comandantes da região, além de equipes específicas do IML e IC nesses casos.”

As quatro mortes são investigadas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana e 4º e 5º DPs de Sumaré. A PM também apura os casos.

OUTROS CASOS
No domingo (3), Fabiano André da Silva, de 33 anos, foi morto no Parque Bandeirantes dentro de uma casa. A polícia recebeu do irmão dele a informação de que Fabiano havia entrado na residência alterado e tinha ameaçado matá-lo.

A polícia diz que foi recebida a tiros. O homem era foragido da Justiça e acusado de roubar a arma de um policial militar rodoviário em Hortolândia, em janeiro.

Na madrugada de 21 de abril, um homem não identificado foi morto em confronto com a polícia no bairro Chácara Cruzeiro do Sul. Segundo a PM, ele estava perto de um veículo furtado e recebeu os policiais a tiros.

Em 15 de abril, Deusdeth Brandão da Silva, de 55 anos, foi morto após atirar contra policiais no Jardim das Palmeiras, segundo a PM. Ele saía de uma casa quando viu um carro da corporação, voltou para o imóvel correndo e gritou que se os policiais entrassem, ele ia atirar, segundo a versão oficial.

Depois disso, ainda de acordo com a PM, atirou e foi baleado. Na casa foram encontrados um detonador e uma dinamite.