Vereador de SB apresenta moção contra especial de Natal do Porta dos Fundos

Carlos Fontes diz que filme trata Jesus como “homossexual de esquerda típico das universidades brasileiras" e nega homofobia: "tenho amigos que são"


Foto: Arquivo / O Liberal
Vereador diz que a representação de Jesus no filme é a de um “homossexual de esquerda típico das universidades brasileiras”

O vereador de Santa Bárbara d’Oeste Carlos Fontes (PSD) protocolou moção de protesto à Netflix por conta do especial de Natal do Porta dos Fundos: “A Primeira Tentação de Cristo”, que estreou em 3 de dezembro.

A obra humorística mostra o aniversário de 30 anos de Jesus, vivido por Gregório Duvivier, e sugere um relacionamento afetivo entre ele e o personagem de Fábio Porchat.

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Mesmo alegando motivação religiosa, o vereador diz que a representação de Jesus no filme é a de um “homossexual de esquerda típico das universidades brasileiras”. Questionado pelo LIBERAL sobre o que isso significa, Fontes justificou que a frase resume o “pensamento de todo o segmento dos evangélicos e do povo cristão”.

A moção foi protocolada no dia 10 de dezembro e só será apreciada no ano que vem, já que a câmara entrou em recesso. O texto cita que o filme “fere a liberdade religiosa” e deforma “profundamente o autêntico conceito de arte”, além de instigar a “desconstrução da família e da religião”.

“Você colocar Jesus como homossexual, sendo que a Bíblia, a palavra de Deus, do inicio em Gênesis ate Apocalipse, não cita uma vírgula que Jesus teve aí uma atitude homossexual. A gente tem percebido que toda a linha da esquerda tem apoiado, infelizmente, esse tipo de atitude no Brasil inteiro”, avaliou Fontes.

Foto: Reprodução
Jesus é vivido por Gregório Duvivier e especial sugere um relacionamento afetivo entre ele e o personagem de Fábio Porchat

O vereador acredita que a forma como classificou a obra não é homofóbica. Ele também afirma que os ateus precisam “respeitar” a religião.

“Até na família a gente também tem (homossexuais) e respeita, eles respeitam nosso ponto de vista. Nada contra. Tenho amigos que são homossexuais que também não aceitam isso aí que a Porta dos Fundos fez e o que a Netflix está fazendo, usando a plataforma para difundir essa questão”, afirmou Fontes.

Em 2015, o parlamentar foi autor do projeto de lei que proibia o implante de chips eletrônicos em seres humanos, sob justificativa de impedir uma “ordem satânica” que instalaria rasteadores nas pessoas. A prefeitura apresentou veto ao projeto, mas a câmara derrubou e promulgou a lei.

A PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) de Santa Bárbara d’Oeste moveu uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) e conseguiu suspender a lei em 2016. A interpretação do promotor Gianpaolo Poggio Smanio foi de que o texto desrespeitava à Constituição e invadia competência legislativa da União.

Petição nacional

Uma petição online coletava assinaturas contra a exibição do Especial de Natal, trazendo como descrição do abaixo-assinado “Pelo impedimento do filme de Natal da Netflix e porta dos fundos, por ofender gravemente os cristãos”, e é direcionado à Netflix, ao Porta dos Fundos e ao Poder Legislativo.

Políticos e líderes religiosos também usaram as redes sociais para demonstrar insatisfação com o filme. No Twitter, o deputado federal Marco Feliciano relembrou que já processou o Porta dos Fundos (o processo foi arquivado pela Justiça). “Cristãos e não cristãos me cobram atuação contra os irresponsáveis do Porta dos Fundos. Em anos anteriores já os processei, mas a “Justiça” diz q é liberdade de expressão”, escreveu Feliciano.

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A Netflix afirmou que “valoriza e aprova a liberdade criativa dos artistas com quem trabalha, e reconhece também que nem todas as pessoas vão gostar desse conteúdo. Daí a liberdade de escolha oferecida pela empresa, em seu cardápio variado de opções, que inclui, por exemplo, novelas bíblicas”.

Também via assessoria de imprensa, o Porta dos Fundos se pronunciou: “O Porta dos Fundos valoriza a liberdade artística e faz humor sátira sobre os mais diversos temas culturais e da nossa sociedade”.

O ator e apresentador Fábio Porchat fez uma publicação no Twitter e defendeu que as pessoas deveriam focar em outros problemas do País. “Gente, pode deixar que eu me resolvo com Deus, tá de boas, não precisa se preocupar não. Agora pode voltar a se indignar com a desigualdade que destrói nosso País. Mas tem que se indignar com o mesmo fervor, tá?”, disse.

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