Canatiba fecha uma das três unidades e dispensa funcionários

Direção disse que fábrica da Rua Guaicurus foi “desligada temporariamente”, mas não informou total de cortes


A Têxtil Canatiba fechou a fábrica da Rua Guaicurus, uma das três unidades com o nome do grupo em Santa Bárbara d’Oeste. Segundo o proprietário da empresa, Romeu Covolan, a fábrica foi “desligada temporariamente” e a produção será transferida para a unidade Tupis, provavelmente até janeiro. Ele afirma que a decisão foi estratégica e não soube informar o número de demitidos.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Fábrica da Rua Guaicurus foi fechada; Canatiba está em recuperação judicial por causa de dívidas

O presidente interino do Sindicato Têxtil de Santa Bárbara d’Oeste, Samar Marcos Pereira, estima que cerca de 70 pessoas trabalhavam na Canatiba da Rua Guaicurus, mas nem todas foram dispensadas – algumas foram deslocadas para as outras unidades do grupo. O encerramento das atividades aconteceu há cerca de dez dias, de acordo com o sindicalista.

A Têxtil Canatiba está em recuperação judicial por causa de dívidas cobradas de seus proprietários na Justiça.

A empresa tinha três fábricas na cidade, e agora fica com duas. Romeu Covolan disse não saber o número de demitidos. “Eu também não sei, mas as pessoas vão junto com a fábrica”, disse, referindo-se à possível futura junção da agora desativada unidade da Guaicurus com a unidade Tupis. De acordo com ele, as máquinas serão transferidas.

“É um espaço muito maior [na Tupis]. Então, como eu tinha três fábricas, vamos ficar com duas, é o suficiente”, afirmou. Segundo ele, o objetivo é ficar com “duas unidades mais concentradas.”

Um funcionário demitido há um mês e meio diz que, só no setor dele, foram aproximadamente 15 dispensados. O homem, que pediu para não ser identificado, disse que a empresa deu “esperança” de uma futura recontratação.

Com mais de 50 anos, o profissional trabalhava ininterruptamente desde os 14. Pela primeira vez, está há tanto tempo parado – apesar de já ser aposentado, quer continuar na ativa. Ele disse que alguns funcionários foram transferidos para as outras duas unidades do grupo.

Apesar das dificuldades do grupo, ele diz que a demissão foi surpresa. “Eu não esperava não”, afirmou. Ele afirma que a rescisão foi paga corretamente – o sindicato diz que, pelo que soube, todos demitidos receberam rescisões contratuais.

De acordo com o sindicato, não é possível saber o número de dispensas porque, com a reforma trabalhista, as homologações não precisam mais passar pela entidade. A Canatiba pediu recuperação judicial no ano passado, por conta de uma dívida de R$ 625 milhões pela qual três dos quatro proprietários estavam sendo cobrados – a dívida é referente a outra empresa da qual são sócios.

De acordo com o pedido feito pela Canatiba à Justiça na época, as cobranças levaram a empresa a uma situação insustentável, atrapalhando a geração de recursos, já que a instabilidade provocada por esta situação estaria reduzindo o número de pedidos nas fábricas da empresa barbarense.

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