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Santa Bárbara

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‘Teremos um boom de expansão em Santa Bárbara’

Desde 1949 vivendo Santa Bárbara de perto, historiador Antonio Carlos Angolini fala da mudança de perfil da cidade


A certidão mostra Limeira como local de nascimento, mas Antonio Carlos Angolini se sente barbarense de coração. Com 73 anos, o historiador coleciona um material vasto da cidade e se orgulha de ser o maior protagonista quando o assunto é a preservação da história de Santa Bárbara d’Oeste.

Ele chegou em 1949 ao distrito de Tupi, que pertence a Piracicaba, e desde então por lá reside. Aos 15 anos começou a trabalhar na Indústrias Romi como torneiro mecânico e, em 1974, se tornou responsável pela biblioteca do local, onde despertou o interesse pelo passado do município. Transferido para a Fundação Romi em 1985, foi pioneiro na criação do Cedoc (Centro de Documentação Histórica), que possui o maior acervo histórico da cidade.

Foto:
Angolini

Desde 2012 ele está aposentado, mas segue contribuindo na preservação da história. Ele recebeu a reportagem do LIBERAL na quarta-feira para um bate-papo sobre sua carreira e os rumos do município. Angolini acredita que Santa Bárbara d’Oeste esteja vivendo seu melhor período de desenvolvimento e que a construção de novos condomínio deve acelerar ainda mais o crescimento.

Como vê o atual momento de Santa Bárbara?

Ela está saindo daquela ideia de cidade-dormitório e passando para uma cidade produtiva, com oportunidades boas, muitos terrenos e próxima a uma grande rodovia, a dos Bandeirantes. Até pouco tempo tinha muitos loteamentos populares. Santa Bárbara não se preocupava com loteamentos mais luxuosos. Você deixava todos que tinham dinheiro ir pra Americana, fazer casa bonita, e Santa Bárbara não ligava pra isso, agora tem condomínios fechados. Aquilo que Americana teve com a ferrovia e com a Rodovia Anhanguera, Santa Bárbara teve com a Rodovia Bandeirantes. É tão notório que quando você entra em Santa Bárbara, dá pra ver o tanto de prédio que está sendo construído. Hoje o lado mais quente de Santa Bárbara passou a ser onde era usina, uma terra que não era valorizada.

O surgimento de lotamentos pode impulsionar um crescimento comercial também?

O comercial já começou a mudar. Aquilo que tinha no Centro de Americana, você encontra na Zona Leste, em Santa Bárbara. Na área residencial você percebe que Santa Bárbara está verticalizando muito. Tem gente de Americana que vem em Santa Bárbara para construir. Por que estão construindo tantos prédios? Tem toda uma pesquisa de mercado envolvida.

Em mais de seis décadas que convive em Santa Bárbara, qual foi a maior mudança que viu?

Meus primeiros contatos com a cidade, quando criança, ela tinha 15 mil habitantes. Era muito pequena, uma cidade bem pacata. Aquela força estava indo pra Americana, e Santa Bárbara ficou meio parada, porque quem podia ia pra Americana. Tudo que era de melhor ia pra Americana. Quando eu comecei a trabalhar tinha 25 mil habitantes. Hoje estamos comemorando os 200 anos com 200 mil habitantes. E ainda teremos um boom de expansão muito grande, porque muitos da região vão escolher Santa Bárbara. É um bom comércio, um bom preço. Santa Bárbara está no seu melhor período de desenvolvimento, recebendo fábricas e empresas, porque tem o território. Pelas nossas empresas, com a qualidade de vida que Santa Bárbara tem, com a água boa, as represas.

As transformações urbanas que vêm ocorrendo são positivas?

Eu sempre digo que a Santa Bárbara d’ Oeste de hoje não é uma cidade só. São pelo menos três com ideologias diferenciadas. O Centro velho pensa de uma forma antiga, conservadora, temos a Zona Leste toda [composta] de imigrantes que vieram para trabalhar em Americana, e morar em Santa Bárbara. E nós temos a parte do São Francisco. Cada uma dessas três tem sua vida própria. Não se incorporam ainda dentro de uma cidade. Nós temos que unir todo esse povo. Todos esses acessos, ampliação de avenidas, é muito importante para unir Santa Bárbara.

Qual futuro projeta para o município?

Santa Bárbara do futuro vai ser com mais qualidade de vida ainda, com mais oportunidade de negócios, esse entusiasmo de ser barbarense vai crescer um pouco, porque a cidade está aparecendo agora.

O que a história te deu de mais importante?

Força. Entusiasmo pela vida. Se é que eu tinha algum vazio, a história preencheu. Me dediquei a isso tudo, não casei, e mesmo vivendo só, vivo com o tempo preenchido com tudo. Tenho que gravar programa, tenho que ver história, tenho o arquivo aqui preparando pra deixar para as futuras gerações. A história não é uma bobagem que aconteceu. Você tem que reconhecer a luta daquelas pessoas que batalharam pra construir esta Santa Bárbara. Ela só é hoje o que é porque muitos alicerçaram a história. É quase inegável que eu marquei pesquisando a história. Não se falava em história em Santa Bárbara antes de mim. Eu acho que a minha importância está em eu mesmo reconhecer que o povo da cidade me respeita muito. São 40 anos lendo, vendo. Fica a sensação de dever cumprido. A maior inteligência minha foi reconhecer o quanto eu sou limitado, e dentro das minhas limitações, procurei descobrir qual o meu potencial, aquilo que eu gostava de fazer. Eu tinha muito claro todas as minhas deficiências, as coisas que eu tinha dificuldade pra aprender, em exatas, nunca me dei bem com isso. Me dei bem com história, com pesquisa. Deixei tudo aquilo que sabia que não era bom pra trás. Sou um homem realizado. Bem reconhecido, sou amigo de tantos em Santa Bárbara. Eu vou em Santa Bárbara todo mundo me para pra conversar.

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