Soro foi solicitado 1 hora após menina chegar em PS

Maria Eduarda de Araújo Pigatto levou duas picadas de escorpião e morreu antes de receber o medicamento


O PS (Pronto-Socorro) Dr. Edison Mano, em Santa Bárbara d’Oeste, onde uma menina de 10 anos morreu após ser picada por um escorpião na manhã de quarta-feira, pediu o soro antiveneno ao Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, uma hora e dois minutos depois que a criança chegou à unidade de saúde. A informação é da coordenadora da Central de Material do HM, Marisa Prates.

Angustiada com a demora para a ambulância barbarense chegar, a farmacêutica de Americana resolveu ir levar o remédio, mas a menina morreu antes. Maria Eduarda de Araújo Pigatto levou duas picadas na residência dos avós, no Jardim Europa, quando estava na cama – uma no pé e outra na mão. Chegou ao PS Edison Mano às 6h15. Morreu uma hora e meia depois, às 7h45, sem receber o antídoto.

Por dois dias, a Prefeitura de Santa Bárbara vem se calando sobre o assunto, e não informou a que horas o soro foi solicitado. A Prefeitura de Americana adotou a mesma postura ontem.

Foto: Arquivo pessoal
Maria Eduarda não recebeu soro antiveneno

A farmacêutica do HM recebeu a ligação do Edison Mano às 7h17, diz Marisa, que viu o registro no celular da profissional. Era uma enfermeira do PS barbarense, que pediu para a funcionária do HM separar quatro doses do soro. Uma ambulância do Edison Mano iria buscá-las. Por precaução, diz Marisa, a profissional de Americana reservou seis ampolas.

Com a demora e desesperada, a farmacêutica resolveu ir com o próprio carro levar o soro, mas encontrou um motorista do hospital no caminho até o veículo, e ele a transportou. Os dois saíram do hospital às 7h45, segundo Marisa (no exato momento em que a menina morreu). Quando o carro estava na altura de Nova Odessa (eles foram pela SP-304), a farmacêutica recebeu uma nova ligação. A criança havia morrido.

Marisa diz que não é possível avaliar se houve ou não demora sem levar em conta as condições clínicas do atendimento.

A Prefeitura de Santa Bárbara tinha sido questionada por dois dias sobre como o soro foi pedido. Ignorou tudo. Apenas informou que fez todos os procedimentos exigidos, contatou a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e depois pediu o soro ao hospital americanense.

Depois de falar com Marisa, a reportagem voltou a procurar a assessoria, pouco depois das 22h, para perguntar sobre a espera para ligar para Americana. A assessoria repetiu que os procedimentos realizados foram os corretos.

Maria Eduarda foi sepultada nesta quinta-feira pela manhã, no Cemitério Parque Gramado, em Americana.

Perguntas para a Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste que seguem sem respostas:

– Em que horário o soro anti-escorpiônico foi solicitado ao HM de Americana?

– O soro chegou exatamente que horas ao Edison Mano? Ou não chegou por que a menina morreu antes?

– Alguém de Americana foi levar ou alguém de Santa Bárbara foi buscar para trazer?

– Por que a menina não foi levada diretamente ao HM de Americana quando chegou com a informação de picada de escorpião? Não seria mais rápido?

– Houve algum atraso na entrega do soro? Por quê?

– Na avaliação da equipe médica, a ausência da aplicação do soro de imediato foi o fator que causou a morte?

– Qual a causa de morte indicada no atestado de óbito?

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