Policiais civis recebiam até R$ 2 mil por mês para não investigar bingo clandestino

Já os policiais militares lucravam de R$ 50 a R$ 100 por dia para fazer a segurança no local, localizado na Vila Dainese


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Investigação foi detalhada por promotores do Gaeco durante coletiva de imprensa em Piracicaba

Os dois policiais civis presos na manhã desta segunda-feira (4) na Operação Bellagio, do Ministério Público, recebiam até R$ 2 mil de propina por mês para não investigar um bingo clandestino na Vila Dainese, em Santa Bárbara d’Oeste. A informação foi divulgada por promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime) durante coletiva de imprensa em Piracicaba.

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Já os três policiais militares presos na operação recebiam de R$ 50 a R$ 100 por dia para fazer a segurança do local. Outras cinco pessoas foram detidas, entre elas um ex-policial militar, que foi expulso da corporação e era o responsável por intermediar o contato com os policiais militares e montar a “escala” de serviço.

Os 10 mandados de prisão e os 20 de busca e apreensão foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Americana e cumpridos por 200 policiais militares. Além das prisões, foram apreendidos R$ 200 mil em dinheiro vivo, munições, drogas e itens utilizados no bingo.

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A investigação começou a partir de uma denúncia anônima no final de 2017. De acordo com o major da PM e chefe da divisão operação do CPI-2 (Comando do Policiamento do Interior), Marlon Robert Miglia, a Corregedoria da PM instaurou um inquérito policial militar em março do ano passado para apurar o caso.

O MP foi contatado em março deste ano após ser identificada a participação dos policiais civis. Segundo o promotor de Justiça do Gaeco Piracicaba, André Camilo Castro Jardim, os policiais militares recebiam de R$ 50 a R$ 100 por dia para fazer a segurança do bingo. Já os policiais civis lucravam até R$ 2 mil por mês para não investigar denúncias sobre a atividade irregular.

Foto: MP-SP/Gaeco
Operação Bellagio, do Ministério Público e da corregedoria, apreendeu cerca de R$ 200 mil nesta segunda-feira

“Os policiais militares realizam a segurança do local. Ao menos um policial militar presente era exigência dos líderes da organização. Já os policias civis recebiam essas vantagens para que investigações em relação a exploração dos jogos de azar não fossem realizadas”, explicou André.

Os dez envolvidos tiveram a prisão preventiva decreta e responderão por associação criminosa e exploração de jogo de azar. Os PM’s, que também responderão por corrupção, foram encaminhados para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo. As investigações continuam e não está descartada a participação de outros policiais no esquema.

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