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Santa Bárbara, 202 anos

Na pandemia, barbarenses contam aprendizados para empreender na crise

Personagens de Santa Bárbara d'Oeste contam suas histórias e mostram como conseguiram driblar a pandemia e sobreviver

Por Marina Zanaki

04 dez 2020 às 08:06 • Última atualização 09 dez 2020 às 16:48

Do microempresário, passando pelo profissional liberal e chegando até a empresa tradicional, a palavra de ordem para transformar os negócios em 2020 foi aprendizado. A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) trouxe consigo uma crise econômica, e empreender se tornou sinônimo de analisar o cenário e se adaptar.

Tradicional empresa do ramo de máquinas e equipamentos de Santa Bárbara d’Oeste, as Indústrias Romi lançaram o serviço de locação para amenizar os efeitos da pandemia. Até então, a empresa apenas vendia as máquinas e equipamentos que produz. Com a novidade lançada em maio, a empresa conseguiu contornar com sucesso um dos grandes efeitos da pandemia na economia – a incerteza.

A empresa lançou o serviço de locação de máquinas para amenizar os efeitos da pandemia – Foto: Arquivo / O Liberal

“O serviço de locação de máquinas veio para atender os nossos clientes em momentos incertos, em que eles querem produzir, mas estão com medo de investir. Outros clientes precisam atuar em projetos pontuais ou por períodos pré-determinados ou até mesmo nacionalizar peças e produtos em função da valorização do dólar e do euro. Nessas situações, a locação é a melhor opção para o cliente, pois envolve menos riscos”, explicou o Diretor-Presidente, Luiz Cassiano Rando Rosolen.

O saldo da mudança foi positivo, com bons resultados financeiros. As Indústria Romi também abriram novos postos de trabalho este ano.
“Para nós, um dos benefícios é o de podermos estreitar o relacionamento com esses clientes durante o período da locação, para que quando eles tenham condições de adquirir uma máquina, optem por comprar um equipamento Romi”, disse o porta-voz da empresa barbarense.

Foi com muita criatividade e trabalho duro que Luciane Erculiani, de 48 anos, conseguiu tornar a pandemia um pouco mais doce. Após ver o salário do marido reduzir, a família decidiu que era o momento para alavancar as vendas da Sweet Box.

O negócio de venda de brigadeiros existia há três anos de forma despretensiosa. Com o bolso apertado, Luciane e o marido Paulo Roberto Erculiani, de 43 anos, mexeram no cardápio e ampliaram o horário de funcionamento das 10h às 22h. Como Paulo estava em casa, ele assumiu o serviço de entregas.

A doceira Luciane Erculiani e o marido Paulo apostaram na criatividade e no trabalho duro para alavancar as vendas durante a pandemia – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

“Foi a Swet Box que segurou as pontas em casa, mas foi mesmo. O salário do meu marido diminuiu bastante, a gente consumiu muito mais dentro de casa, com as crianças, todo mundo acaba comendo mais. Se não fosse a Sweet Box não sei como ficaria”, revelou a empresária de Santa Bárbara.

Ela acredita que o sucesso ocorreu porque o negócio atendeu a uma demanda na pandemia. Além da compra de comida por delivery, que disparou na quarentena, os produtos também eram uma alternativa de presente seguro, evitando o contato social. Luciane elaborou uma caixa preparada especialmente para aniversários.

“Foi o que eu mais vendi na pandemia. Pessoas de outros estados pedem, via iFood, para entregar para amigos aqui. Entreguei esse amor e carinho em forma de doce para muita gente em Americana e Santa Bárbara”, contou a doceira.

A empresária conseguiu liberação de crédito no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com a qual pôde investir em uma máquina de brigadeiros e uma geladeira específica para o negócio. A perspectiva é contratar uma funcionária para ajudar nas encomendas de final de ano. Para 2021, ela considera que será essencial contratar um motoboy para as entregas.

A psicóloga Bianca Casale viu a necessidade de aderir à terapia online para conseguir atender os clientes que não se sentiam confortáveis em ir presencialmente até seu consultório – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

A pandemia teve efeitos no emocional da população, provocando ou acentuando sintomas de ansiedade e quadros de depressão. Além disso, muitas pessoas passaram a apresentar um comportamento psicossomático, ou seja, relatar sintomas da Covid-19 produzidos pela própria mente.

Nesse contexto, a terapia foi decisiva para oferecer suporte e elaborar psicologicamente todas as mudanças forçadas pelo vírus. A psicóloga Bianca Casale, que atende no Centro de Santa Bárbara d’Oeste, viu a necessidade de aderir à terapia online para conseguir atender os clientes que não se sentiam confortáveis em ir presencialmente até seu consultório.

Essa mudança veio acompanhada de produção de conteúdo sobre saúde mental na quarentena para as redes sociais. Essas duas apostas acabaram triplicando o número de pacientes atendidos pela profissional.

“Foi um ano atípico, começamos com um planejamento e no meio do caminho as coisas foram adiadas. Houve um boom de informações e algumas pessoas começaram a ter sintomas, mas não a doença – mal-estar, dor de garganta, de cabeça, falta de paladar. Além da pandemia, teve que lidar com toda essa situação, essa questão emocional saindo um pouco fora do controle”, contou a psicóloga.

Boa parte dos novos pacientes é jovem e adaptado ao mundo digital, entre 17 e 30 anos. Por meio do atendimento online, Bianca conseguiu ajudar diversos pacientes que moram em outras cidades, muitos dos quais estão fazendo terapia pela primeira vez.

“Acho importante olhar para nós mesmos. Esse período de crise cabe muito dentro do nosso autoconhecimento. Se você sabe seus limites, suas habilidades, você consegue se flexibilizar dentro desse período”, afirmou a psicóloga.

MEIs
O número de novos MEIs (Microempreendedores Individuais) em Santa Bárbara d’Oeste aumentou 21% na pandemia em relação ao ano anterior. Segundo dados do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa), houve a abertura de 1.423 novos MEIs no município entre março e 21 de novembro.

No ano passado, foram 1.169 aberturas, e em 2018 foram registradas 1.005 novos microempreendedores individuais na cidade. Durante a pandemia, o Sebrae lançou um programa especial de crédito.

Hábitos mudaram

“Nunca o empresário deu tanta importância para qualquer venda, pequena, média. Todo mundo teve que se reinventar, buscar novas parcerias, novos produtos e novos fornecedores para os mesmos clientes. Os hábitos mudaram, foi preciso buscar as oportunidades”.

Essa é o sentimento do empresário Nivaldo José da Silva, que também é presidente da Diretoria Regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santa Bárbara d’Oeste.

No ramo de e-commerce há cinco anos, ele contou que mesmo para o setor houve momentos de incerteza e necessidade de mudanças. Alguns produtos viram a demanda despencar, como nos setores de academias e restaurantes.

“Em março, abril, foi muito tenso para todo mundo. Mesmo no e-commerce, ninguém sabia como ia ser. A população estava ficando em casa, mas não estava com hábito mais forte de compra online, agora já estabeleceu. Nos últimos meses reabriu o comércio e está normalizando em um nível mais alto. A expectativa de crescimento do e-commerce no Brasil ainda é forte”, revelou o empreendedor.

Nivaldo José da Silva, empresário e presidente da Diretoria Regional do Ciesp de Santa Bárbara d’Oeste: “Nunca o empresário deu tanta importância para qualquer venda” – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O empresário acabou investindo em alguns produtos que se tornaram mais relevantes dentro dos novos hábitos da população. Uma das apostas foi o site brazeiro.com.br. Lançado na pandemia, o e-commerce teve bom desempenho na venda de tábuas de carnes e acessórios para churrasco.

Nivaldo acredita que isso está ligado a uma mudança no hábito do consumidor, que passou a ficar em casa aos finais de semana e a investir em churrascos.

Enquanto presidente da Diretoria Regional do Ciesp de Santa Bárbara d’Oeste, Nivaldo José da Silva enxerga uma retomada na economia, e elenca como um dos principais desafios para a consolidação dessa tendência a oferta de matéria-prima.

“Vemos que a alta do dólar afetou o crescimento no sentido negativo, com aumento da matéria-prima. Todos os setores deram uma reduzida no quadro de funcionários, e ao voltar ninguém retornou 100%. Essa falta de matéria-prima afeta todos os setores – papelão, aço, alumínio”, contou.

Ele disse que a entidade vem acompanhado a situação econômica e está à disposição das empresas barbarenses.

“O Ciesp está acompanhando isso com os setores e acreditamos que no final e começo do ano normalize essa falta de matéria-prima, ocasionada principalmente pela forte retomada”, afirmou Nivaldo.

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