Movimentos protestam contra uso da bandeira confederada

Movimentos sociais estiveram na Festa Confederada de Santa Bárbara e realizaram uma manifestação pacífica contra a bandeira


“Muito sangue negro foi derramado com o hasteamento daquela bandeira. A gente é contra a bandeira, não contra a festa”.

O posicionamento da pedagoga Silvia Motta, integrante da Associação de Capoeira Motta, é compartilhado pelos grupos sociais e culturais que realizaram neste domingo (28) uma manifestação contra a utilização da bandeira confederada na Festa Confederada, que acontece em Santa Bárbara d’Oeste até às 17h.

Foto: Denis Carvalho
Movimentos sociais fizeram um protesto pacífico neste domingo

Cerca de 30 militantes chegaram ao recinto da festa, no Cemitério dos Americanos, por volta das 11h e se posicionaram ao lado da entrada para o estacionamento. Cartazes de protesto contra a bandeira foram abertos e os diversos grupos presentes se alternavam em intervenções culturais.

Esse é o segundo ano consecutivo que a tradicional festa é alvo de protestos. Entre os grupos presentes estavam a Unegro (União dos Negros e Negras Pela Igualdade), Coletivo Dança Afro e Expressões, Câmara Cultural Popular e Urbana, entre outros. Um manifesto contra a festa foi lançado por eles neste ano.

“O intuito nosso é o abaixo a bandeira. Não contra o significado da festa, porque tenho certeza que tem vários significados para eles de forma cultural, que tem uma importância muito grande, porém o hasteamento da bandeira nos implica, porque é símbolo da escravidão”, disse Silvia.

Foto: Denis Carvalho / Divulgação
Protesto foi realizado contra o uso da bandeira confederada na festa barbarense

Em entrevista ao LIBERAL no começo deste mês, o presidente da Fraternidade Descendência Americana, que organiza a festa, João Leopoldo Padoveze, defendeu que os símbolos da bandeira são relacionados ao cristianismo.

Já sobre o contexto da Guerra Civil norte-americana que marca o período de utilização da bandeira, o presidente diz que a guerra teve maior ligação com imposições do governo aos sulistas, como o aumento de impostos para alguns estados norte-americanos.

Não foi registrado nenhum tipo de atrito entre os manifestantes e o público da festa até a publicação desta matéria.

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