‘Jamais acreditei que esse negócio ia acabar’

Matheus Pavan Beltrame, de 40 anos, trabalhou na Usina Furlan por duas décadas: 'respirei Fazenda Morro Grande por pelo menos 22 anos da minha vida'


A assinatura do contrato para a venda dos “ativos biológicos” para os grupos Raízen e São Martinho decretou a desativação, em 6 de julho de 2018, da Usina Furlan, a última no município após o fechamento das outras três (Azanha, Santa Bárbara e Cillos).

O grupo empregava cerca de 190 pessoas na área industrial e outros 180 em seu braço agrícola – a maior parte foi dispensada, inclusive aqueles que moravam na Fazenda Morro Grande, onde uma colônia de funcionários da Furlan residia.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Beltrame: “Eu senti um grande vazio, porque respirei Fazenda Morro Grande por pelo menos 22 anos”, afirma

É o exemplo do técnico agrícola Matheus Pavan Beltrame, de 40 anos, que trabalhou no grupo por duas décadas. “Eu senti um grande vazio, porque respirei Fazenda Morro Grande por pelo menos 22 anos da minha vida. Eu jamais acreditei que esse negócio ia acabar um dia, porque a Usina Furlan era um império”, lamentou.

O LIBERAL tentou contato com os diretores do Grupo Furlan durante os últimos quatro meses, mas os responsáveis pela empresa se recusaram a falar com a reportagem sobre os motivos do encerramento das atividades de produção em Santa Bárbara – a parte administrativa segue funcionando.

Para Matheus, imposições ambientais que dificultaram a queima da cana-de-açúcar ajudam a explicar a decisão da venda dos ativos biológicos. Além disso, ele cita o crescimento urbano como outro culpado. “A cidade começou a crescer muito nos últimos dez anos, e isso sufocou as lavouras”, acrescentou.

“Pra história é uma sequência natural. A gente sabia que ela não resistiria à modernidade, as facilidades de montar usinas em outros locais. Eles podem vender essas terras e comprar três usinas em outros locais”, opina o historiador Antonio Carlos Angolini.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora