15 de junho de 2021 Atualizado 20:40

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Restin

Iniciativa conecta empresas do setor alimentício para vender excedentes

Empresa de Santa Bárbara, Restin trabalha para combater o desperdício de alimentos de uma forma sustentável e lucrativa

Por Heitor Carvalho

05 jun 2021 às 10:36 • Última atualização 05 jun 2021 às 15:17

Uma empresa de Santa Bárbara d’Oeste tem trabalhado para combater o desperdício de alimentos de uma forma sustentável e lucrativa. A Restin, com sede na incubadora de empresas “José João Sans”, no Jardim São Francisco, foi criada em 2020 com uma proposta inovadora.

Luciano, ao centro, e a equipe da Restin – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O negócio funciona através de uma plataforma on-line no formato de marketplace, onde compradores e vendedores se reúnem para negociar de forma consciente e econômica. Ela conecta empresas do ramo alimentício que tenham excedentes por preços acessíveis.

Dessa forma, o empresário pode recuperar parte do dinheiro investido, enquanto que o alimento que seria descartado volta para o mercado num novo formato de venda. Sendo assim, o consumidor pode ter acesso a alimentos mais baratos, mesmo que mais próximos do fim da validade ou fora dos padrões estéticos da indústria.

A Restin é uma startup que traz uma ideia que possa ser produzida em escala em um cenário incerto e imprevisível. O objetivo da companhia é gerar impacto social e fomentar a economia local possibilitando também o consumo de alimentos agroecológicos e sustentáveis.

O barbarense Luciano Almeida, de 30 anos de idade, mora no Jardim Rosemary e trabalha há 13 anos na área de nutrição, dos quais dez anos foram voltados ao setor de food service em uma multinacional de alimentação coletiva da região.

Ele é um dos fundadores e CEO da Restin. Foi a partir do cotidiano do seu próprio trabalho no setor de alimentos, onde ele presenciou muito desperdício, que Luciano começou a questionar novas formas de consumo.

“Como eu fazia a gestão do restaurante, eu via muita comida ir para o lixo. Eu falo que sou um ‘poluidor em desconstrução’, porque eu já mandei jogar muito alimento fora, comida que estava boa para ser preparada, mas que por padrões que a empresa e a sociedade impunham, eu tinha que descartar”, contou.

Segundo um estudo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) feito em 2018, cada família brasileira desperdiça, em média, 128 quilos de alimentos por ano. Os produtos mais perdidos são arroz (28 kg), carne (25 kg), feijão (20 kg) e frango (19 kg).

Outro estudo, feito pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) em 2019, constatou que o desperdício de alimentos somou 931 milhões de toneladas por ano em todo o planeta, chegando a quase um quarto de todos os alimentos produzidos no mundo.

Ao assistir o episódio da série Chef’s Table, da Netflix, que aborda o trabalho do chefe italiano Massimo Bottura com alimentação social, Luciano teve a ideia que deu início à startup barbarense.

Produtos vendidos pela Restin que poderiam ser descartados – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“Eu me encantei e pensei que era nisso que eu queria trabalhar. Eu decidi ir para a Itália para conhecer o projeto pessoalmente. Quando voltei de lá, na metade de 2019, comecei a movimentar algum projeto social para encabeçar aqui no Brasil no combate ao desperdício de alimentos”, contou.

A empresa começou a ser estruturada por Luciano e as sócias Franciele Barbosa, sua irmã, e a amiga americanense Mariá Possobom, e por outros amigos que se conectaram com o propósito e entraram na sociedade ao
longo do caminho.

A startup foi construída totalmente on-line logo após o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, por volta de março de 2020, e foi lançada no dia 29 de setembro do ano passado, no Dia Internacional da Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar.

“A Restin nasceu com o objetivo de combater o desperdício de alimentos, o reduzindo pela metade. Além de contribuir para a economia, já que fazemos o que seria um desperdício se transformar em lucro, tanto para quem está fazendo a venda, quanto para que está fazendo o consumo, como restaurantes que podem fazer desse alimento sua matéria-prima”, explicou Luciano, ao LIBERAL

Apesar de ainda ser pequena e recente, a empresa já tem mostrado grande potencial em um nicho de mercado ainda inexplorado no ambiente de negócios brasileiro.

A Restin é a primeira startup da região a entrar no fundo de investimentos da FEA Angels, uma rede de ex-alunos da Faculdade de Economia e Administração da USP (Universidade de São Paulo) que investe em empresas com um alto potencial de crescimento. E está nas fases finais de outros fundos de investimento.

“Nós somos uma startup recente, mas com pessoas de grande nome no nosso quadro societário, o que torna esse empreendimento muito especial”, concluiu Luciano.

Publicidade