Enganado por advogado, casal recebe ordem de despejo do Roberto Romano

Profissional recebeu R$ 23 mil de casal que estava inadimplente, mas não repassou valor para a CDHU


Um advogado contratado pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) para intermediar acordos com mutuários inadimplentes admitiu ter dado “destino diverso” a R$ 23 mil pagos por um casal de Santa Bárbara d’Oeste para quitar as parcelas e o saldo devedor do financiamento com a empresa estatal, responsável pela construção de conjuntos habitacionais populares. Os dois, que moravam no Conjunto Roberto Romano, descobriram a fraude ao receber uma notificação de despejo, no ano passado.

O escritório de Ricardo Chitolina, com sede em Piracicaba, foi um dos mais de cem contratados em 2008, em todo o Estado, para prestar esse tipo de serviço. O acordo com o casal barbarense foi firmado quatro anos depois e o profissional chegou a emitir um recibo em nome da companhia.

Foto: Prefeitura de S.Bárbara / Divulgação
Mutuários moravam no Conjunto Roberto Romano, em Santa Bárbara

Segundo o advogado dos dois, Lucas Trevisan Borsato, eles deixaram a cidade após o episódio por conta de um problema de saúde provocado pelo stress. “Após essa contenda ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), ficou meses na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em coma. Eles foram para uma cidade no Sul de Minas porque acharam mais barato alugar uma casa lá para fazer o tratamento”, afirmou.

Ainda de acordo com o advogado, a família chegou a procurar a CDHU para apresentar o recibo, mas acabou ignorada. “Imediatamente depois nós ingressamos com a ação”, conclui. No processo, julgado esta semana, a empresa estadual e o escritório responsável pelo desvio foram condenados a pagar uma indenização equivalente ao valor acordado (R$ 23 mil). A estatal foi, ainda, obrigada a cancelar o débito nos termos da negociação firmada.

Em nota, a assessoria de imprensa da empresa afirmou que “não tem conhecimento de mais nenhum caso de estelionato contra um mutuário e a CDHU” envolvendo este ou outro dos escritórios contratados. “A CDHU irá recorrer da ação e lamenta o prejuízo causado às duas famílias pelo escritório de advocacia. Dessa forma, a Companhia irá ingressar com uma ação contra o advogado que causou a fraude”, diz o texto encaminhado ao LIBERAL.

Ricardo Chitolina não foi encontrado para comentar a decisão judicial. No processo, ele afirmou que “por inúmeros problemas estruturais do escritório na época, referida importância não foi utilizada para o devido fim, ou seja, quitação do contrato habitacional”. “Este contestante assume toda a responsabilidade pela não quitação contrato na época e assume o compromisso em liquidar o contrato perante a CDHU em favor dos autores, com a maior brevidade possível”, disse o profissional, em sua própria defesa.

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