Denúncia sobre assédio atinge coordenador de pronto-socorro

Há relatos de que Ivan Luiz Carpim trocava nomes de servidores, caçoava de funcionárias, entre outros constrangimentos


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Pronto-socorro Edison Mano é um dos coordenador por Ivan Carpim

Um abaixo-assinado denunciando condutas de assédio moral que teriam sido cometidos pelo coordenador dos prontos-socorros de Santa Bárbara d’Oeste, Ivan Luiz Carpim, foi entregue à prefeitura e ao MPT (Ministério Público do Trabalho). Este último estuda desarquivar um procedimento envolvendo abusos morais em Santa Bárbara d’Oeste após essa denúncia.

O coordenador dos prontos-socorros Edison Mano e Afonso Ramos foi procurado na semana passada mas disse que não comentaria. A reportagem teve acesso ao relatório assinado por 120 funcionários e também conversou com seis servidores – que pediram para não serem identificados – que relataram terem sofrido ou presenciado abusos.

Concursado, o farmacêutico Ivan Luiz Carpim assumiu a coordenação do pronto-atendimento há dois anos e recebe um salário de R$ 7.684, de acordo com o Portal da Transparência. Segundo relatos, desde o início ele praticou ações que constrangiam os funcionários. Caso ele achasse que algum servidor era incompetente, ele virava sinônimo dessa característica e outros colegas eram chamados por seu nome como provocação.

De acordo com um relato, ele chegou a abordar uma mulher durante a pausa para o lanche e dizer que deveria fazer exercícios em vez de se alimentar, alegando que ela estava gorda. Em outra ocasião, uma funcionária ofereceu banana ao coordenador, que sugeriu que a jogasse aos pés de uma servidora negra.

Os servidores apontam que o clima nos prontos-socorros se tornou pesado e que isso atrapalha o serviço prestado à população. “Ele trocava nomes, passava a mão no nosso cabelo, nosso ombro, uma coisa bem chata. Um chefe não tem que fazer essas coisas, ele falava da nossa aparência. Deveria ser uma pessoa mais capacitada para coordenar uma equipe tão grande”, disse uma servidora.

Esta não é a primeira vez que denúncias com esse teor envolvendo Santa Bárbara d’Oeste chegam ao MPT. Em 2004, a prefeitura havia firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) após um procedimento originário de denúncias de abusos morais sofridos por servidores – sem relação com Carpim.

Esse procedimento foi arquivado em 2018 pois não havia indícios de descumprimento. Contudo, em 11 de abril deste ano o MPT recebeu essa denúncia envolvendo Carpim e juntou-a aos autos daquele procedimento de 2004. “Embora arquivado, encontra-se em movimento para investigar os fatos narrados, os quais indicam o descumprimento do acordo”, explicou.

DEFESA. Procurado, Carpim disse para a reportagem entrar em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste. “Isso aí não vou entrar em comentário, mesmo porque é coisa que está bem antiga (referindo-se à entrega do relatório à prefeitura, em fevereiro), foi bem lá atrás, não é uma matéria assim presente”, afirmou. A prefeitura foi questionada e respondeu apenas que “o documento foi protocolado e está em análise”.

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