Coordenador é orientado a não fazer ‘brincadeiras excessivas’

Ivan Carpim foi alvo de abaixo-assinado de servidores da saúde que o acusam de assédio moral; MPT agenda audiência sobre assunto


Foto: Divulgação
rientação consta de um documento que o LIBERAL teve acesso e que faz referência ao abaixo-assinado entregue à prefeitura

Acusado por 120 servidores de praticar assédio moral, o coordenador dos prontos-socorros de Santa Bárbara d’Oeste, Ivan Carpim, foi orientado pela Secretaria de Saúde a não fazer “brincadeiras excessivas” e “manter a harmonia” no ambiente de trabalho. O MPT (Ministério Público do Trabalho) agendou uma audiência com representantes do município.

A orientação consta de um documento que o LIBERAL teve acesso e que faz referência ao abaixo-assinado entregue à prefeitura em fevereiro com assinaturas de subordinados ao coordenador. Carpim é acusado de ter adotado condutas que constrangiam os servidores, como a prática de usar nomes como sinônimo de incompetência.

De acordo com um dos relatos, Carpim teria abordado uma mulher durante a pausa para o lanche e dito que ela deveria fazer exercícios em vez de se alimentar, alegando que estava gorda.

Datado de 4 de abril, o relatório resultante do processo administrativo aberto pelo abaixo-assinado traz que “em que pese muitas alegações serem genéricas e vazias – sem evidente nexo causal – entendemos fundamental seja observado pelo funcionário: manter o espírito de equipe e harmonia no local de trabalho, não realizar a troca de nomes de funcionários ou fazer brincadeiras excessivas, tratar os colegas com urbanidade, continuar a zelas pela ordem e organização”.

Há no documento um trecho escrito à mão e dedicado ao “interessado” – no caso, Carpim. Consta que ele afasta “as informações apresentadas no abaixo-assinado, porém recebo a orientação e me comprometo a cumprir todas as orientações acima descritas”.

Em outro trecho, que data do dia 22 de abril, a Secretaria de Saúde trouxe que “embora, para o momento, vislumbramos não ser cabível qualquer procedimento administrativo em desfavor do mesmo, submetemos o presente para ciência e eventuais providências julgadas pertinentes por essa Secretaria de Controle Geral”, completa.

Carpim foi procurado nesta quinta e disse para a reportagem procurar a assessoria de imprensa da prefeitura. O departamento não respondeu.

AUDIÊNCIA. O MPT (Ministério Público do Trabalho) agendou para 10 de maio uma audiência preliminar sobre assédio moral com representantes do município. O Procurador do Trabalho que está conduzindo o processo é Bruno Augusto Ament.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, um processo de 2004 em que o município já havia sido investigado por denúncias de assédio moral foi desarquivado diante do documento protocolado pelos servidores.

A prefeitura havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta para promover ações que evitem abuso de autoridade por parte de servidores públicos. Segundo o MPT, há indícios de descumprimento desse acordo.

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