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História

Aos 100 anos, Caiubi vive valorização, turismo rural e instalação de empresas

Bairro histórico da zona rural de Santa Bárbara d'Oeste surgiu às margens de estação

Por Isabella Holouka

31 de julho de 2022, às 09h00 • Última atualização em 31 de julho de 2022, às 09h01

Um menino anda de bicicleta pela rua tranquila, passando por uma pequena oficina automotiva e manobrando em frente a uma casa em que se lê “manutenção de chácara em geral”. Mulheres caminham até a escola com seus filhos enquanto observam outros moradores pintando suas casas e as melhorias feitas na Praça Antônio Angolini, desviando dos poucos carros que passam pelo tradicional bairro rural do Caiubi, que na sexta-feira completou 100 anos de fundação.

Vinte e nove de julho de 1922 marca a inauguração da Estação Caiubi, sinônimo de esperança e prosperidade para os sitiantes da área que antes era chamada de “Bairro dos Barbosas”. No mesmo dia foram inauguradas as estações de Tupi, Taquaral e a central de Piracicaba.

Data de fundação do bairro guarda relação com a inauguração da Estação Caiubi, pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro – Foto: Antônio Carlos Angolini / Arquivo Pessoal

Naquele tempo, a margem direita do Ribeirão Alambari pertencia à Santa Bárbara, e a esquerda, à Piracicaba. Atravessando o Rio Piracicaba, chega-se a Limeira. Com a inauguração da Estação Caiubi, pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro, a área também passou a ser chamada de Caiubi, e hoje incorpora os bairros Cruzeiro do Sul, Paraíso e Vale das Cigarras.

Além de historiador, Antonio Carlos Angolini, de 76 anos, é neto do fundador do Caiubi, Antonio Angolini. Ele conta que o avô era um italiano que morava nas Chácaras Pinheirinho quando soube da instalação da ferrovia. Vendeu a propriedade que tinha, comprou uma área à margem esquerda do Ribeirão Alambari e doou terras para a companhia paulista.

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Também construiu uma casa e um armazém, onde foi trabalhar seu filho mais velho, Fioravante Luiz Angolini, que juntamente com a esposa Anna Rosa foram os primeiros moradores do Caiubi.

O bairro Caiubi, atualmente, conhecido pela tranquilidade em uma região urbanizada como a do polo têxtil – Foto: Marcelo Rocha / Liberal

Após a inauguração da Estação Caiubi, com a notoriedade do bairro, Fioravante reivindicou que ele passasse a pertencer à Santa Bárbara. Assim, em 1938, 400 alqueires de Piracicaba foram anexados ao território barbarense, diminuindo a distância que os moradores do Caiubi precisavam percorrer para resolver questões burocráticas.

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As décadas de 1940 e 1950 foram de crescimento para o bairro, que atraía turistas barbarenses e da região. Além do passeio de trem, o principal atrativo era a beira do Rio Piracicaba, descrito como muito limpo e repleto de peixes. Uma balsa permitia a travessia entre Santa Bárbara e Limeira.

O historiador Antonio Carlos Angolini, de 76 anos, neto do fundador do bairro Caiubi – Foto: Marcelo Rocha / Liberal

A Estação Caiubi recebeu a última viagem de trem de passageiros em 1977 e logo foi desativada. Ficou depredada até meados de 1985 e pouco depois foi demolida. Em 1992, em comemoração aos 70 anos do Caiubi, foi inaugurada no mesmo local a Praça Antonio Angolini, com a presença dos filhos do fundador. Ainda é possível observar onde funcionava a antiga plataforma e encontrar sinais dos trilhos do trem.

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Cem anos depois, o bairro, que sempre foi considerado pequeno, simples e periférico, persiste com valor turístico, procurado pelos amantes da comida caipira e do turismo rural, e se mostra pronto para o progresso, destaca o historiador.

“Hoje, a região do Caiubi compreende vários bairros. Tem um dos ranchos mais famosos da cidade, o Rancho da Costela, que atrai muitos turistas. Graças à passagem da Rodovia dos Bandeirantes, essa região foi supervalorizada, já tem vários condomínios, indústrias e está aumentando a quantidade de construções”, afirma.

Moradoras do Vale das Cigarras, que atravessam o Caiubi em direção ao bairro Cruzeiro do Sul, pela Alameda Celio Angolini, destacam a tranquilidade e a união entre os moradores, onde ainda é possível deixar as crianças brincando na rua.

“É muito tranquilo, os vizinhos ajudam um ao outro quando precisam e criamos as crianças com mais liberdade”, comenta Adelaide Maria, auxiliar de limpeza, de 29 anos. “Só tem que acabar com o mato alto que tem ali, dá medo. E também colocar um mercado”, acrescenta Adriana Regina de Jesus, caseira, de 50 anos.

COMEMORAÇÃO
Apresentações musicais, plantio de mudas, dinâmica de Educação Ambiental e cardápio diversificado marcam a comemoração dos 100 anos do bairro Caiubi neste domingo (31).

A programação inicia às 10h e segue até 16h, na Praça Antonio Angolini. Além disso, uma exposição histórica do centenário foi lançada, com fotos e textos, e pode ser conferida até 12 de agosto no Centro de Memórias “Historiador Antonio Carlos Angolini”. O atendimento é de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h.

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