RPT tem 1 ponto de coleta para cada 106,4 mil habitantes

Dos nove locais físicos destinados à entrega do produto, 5 deles estão em Hortolândia; coleta é deficitária em outras cidades


Somente nove pontos fixos para o descarte de óleo de cozinha usado estão disponíveis para atender a população de quase um milhão de pessoas da RPT (Região do Polo Têxtil). Sem conhecimento, moradores procuram alternativas para não mandar o produto pelo ralo.

Foto: Arquivo / O Liberal
Um litro de óleo sujo pode contaminar até um milhão de litros d’água; descarte no ralo da pia prejudica a natureza
Segundo especialistas ouvidos pelo LIBERAL, a quantidade de locais é “muito pequena” e a ampliação de pontos ajudaria na conscientização. A população estimada da RPT, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é de 957,9 mil habitantes. Se dividida pelo número de pontos de descarte de óleo, há, na região, um local de descarte para cada 106,4 mil moradores.

Cinco dos nove pontos estão em uma única cidade: Hortolândia. Estudos apontam que um litro de óleo sujo pode contaminar até um milhão de litros d’água. Sem informações sobre o que fazer com este material, mas já consciente de que o descarte não deve ser feito na pia da cozinha ou no vaso sanitário, a dona de casa Iracy Salim, 74 anos, que é moradora na Praia Azul, em Americana, passou a doar o óleo usado para a empregada fazer sabão.

“Ela faz o sabão e dá para as pessoas, e também pretendia vender”, contou a dona de casa, dizendo que, por desconhecer os pontos de descarte, “não saberia onde levar”. Em Americana, segundo a prefeitura, não há ponto físico para o descarte. O material é recolhido por meio da Coleta Seletiva. “O local de armazenamento, por enquanto, está sendo no Parque Ecológico”, informou, a assessoria de imprensa da prefeitura, por nota.

Moradora em Nova Odessa, a aposentada Neide Alves Lima, 70 anos, disse que “nem uma gota” do óleo usado vai para o ralo. “Uma coisa que a gente tem de ter muito cuidado é com o ralo de pia”, ressaltou. “Armazeno o óleo usado e, quando tem pouco, levo no ecoponto”. Em Nova Odessa, além de dois pontos de descarte, há, no Jardim Monte das Oliveiras, um ecoponto onde esse material pode ser levado, segundo informou a prefeitura.

Em Hortolândia, o óleo pode ser descartado nos cinco PEVs (pontos de entrega voluntária). Em Santa Bárbara d’Oeste, a prefeitura faz a coleta em 70% da cidade por meio da coleta seletiva. Uma empresa parceira também recebe o material dos barbarenses.

Contatada ainda na semana passada, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Sumaré não retornou as informações dentro do prazo informado. A reportagem ligou na Secretaria Municipal de Ambiente, mas o atendente não soube informar o que deve ser feito com o óleo usado.

Foto: Angelo Miloch / O Liberal
Para Patrícia Fontanini, número de locais é muito pequeno diante da população da Região do Polo Têxtil
Professora da Unicamp critica poucos endereços disponíveis

O aumento do número de pontos fixos destinados ao descarte de óleo usado na RPT “facilitaria a conscientização da população de que é importante o descarte adequado”. A avaliação é da professora da Faculdade de Engenharia Ambiental da PUC (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) e doutora em engenharia civil, Patrícia Fontanini.

“É um número muito pequeno se comparado a essa população (da RPT)”, classificou a especialista, destacando estatísticas que mostram que um litro de óleo sujo polui um milhão de litros d’água. “O óleo é muito denso. Então, para retirá-lo numa estação normal de tratamento de esgoto, requer várias fases, tem de circular muita água para limpar esse óleo”, explicou.

Segundo Patrícia, o descarte irregular pode poluir a rede de esgoto e gerar prejuízos financeiros que repercutem, inclusive, no bolso do consumidor. “A medida em que as concessionárias precisam de tratamentos adicionais para essa água, eles acabam também tarifando o consumidor final na sua conta residencial”, disse ela.

Ao citar a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, a professora apontou que “todos os agentes da cadeia produtiva, os órgãos fiscalizadores e governamentais, tem responsabilidade na destinação desse resíduo orgânico”. Até o consumidor final é responsável pelo descarte correto, segundo Patrícia. “Todos tem uma parcela”, afirmou.

Foto: Angelo Miloch / O Liberal
Local em Nova Odessa funciona de domingo a domingo, sempre das 7h às 19h, e recebe oléo de cozinha usado
Ecoponto promove a conscientização

O município de Nova Odessa buscou nas cidades vizinhas informações para instituir o ecoponto. Instalado no Jardim Monte das Oliveiras, o espaço de 1,2 mil metros quadrados funciona de domingo a domingo, das 7h às 19h. Além de óleo usado, o local recebe equipamentos eletrônicos, plástico e móveis velhos.

“O funcionário apenas orienta o morador, que é conscientizado e já deve trazer esse material reciclado separado”, informou a diretora de Licenciamento e Fiscalização Ambiental de Nova Odessa, Aryhane Massita. “A gente percorreu municípios vizinhos, colhendo informações e olhando modelos que deram certo, e criamos esse ecoponto”, explicou.

Aryhane ressaltou que o “óleo de cozinha não deve ser jogado na pia”, e que a prática traz prejuízos ao meio ambiente. “Na água, ele forma uma fina camada na superfície que limita a troca de oxigênio com o ar, prejudicando os animais e a flora que tem nessa água. No solo, ele vai chegar no lençol freático contaminando também”.

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