‘Vilã’, Atibaia prevê solução para esgoto em três anos

Cidade que mais polui a Represa do Salto Grande projeta melhoria significativa já para 2019


É ponto de concordância entre todos os envolvidos na busca por soluções para a proliferação de aguapés da Represa do Salto Grande, em Americana, o fato de que o problema ocorre por conta do excesso de despejo de esgoto no Rio Atibaia, que forma o reservatório.

O grupo de “vilãs” é formado por 11 cidades, mas os índices de coleta e tratamento apontam que a principal é Atibaia, que anunciou que deve zerar sua contribuição negativa ao sistema até o fim de 2021, e aplicar melhorias significativas de coleta e tratamento já em 2019.

Foto: Willian Gregio_Divulgação
Aguapés: problema crônico na Represa do Salto Grande devido ao despejo de esgoto

Relatório emitido pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e anexado no inquérito aberto pelo Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente) aponta que 11 cidades da bacia do Atibaia, e relacionadas diretamente à represa, não coletam e tratam quantidade ideal de esgoto. Quando o fazem, não executam o chamado tratamento terciário, que remove fósforo e nitrogênio, substâncias que, em excesso, contribuem para que haja proliferação intensa de aguapés, algo registrado no Salto Grande. Em 12 meses, a população de aguapés dobrou.

De acordo com o gerente da agência de Campinas da Cetesb, Domenico Tremaroli, a meta é que todas as cidades tenham índice de coleta acima de 95% e tratamento de tudo que for coletado. Os 5% restantes podem ser destinado a fossas, por exemplo. Hoje, de acordo com a Cetesb, 11 cidades estão fora desse quadro, mas existem os casos piores.

Atibaia, Itatiba, Valinhos, Vinhedo, Campinas, Paulínia, Americana e Jarinu são consideradas as oito principais vilãs, mas há bons prognósticos, segundo o gerente. “Já foi feita uma reunião com essas cidades para definir as ações, todas têm notícia bem razoável. Esses são os municípios prioritários. A ideia nessas maiores cidades é trabalhar já com o tratamento terciário para já conseguir a remoção de fósforo, porque a hora que diminuir a concentração de fósforo deve haver a diminuição das algas”, afirmou.

A situação mais crítica é de Atibaia. O saneamento foi terceirizado no município, e hoje é de responsabilidade da Atibaia Saneamento, empresa do grupo Iguá, responsável pelos serviços de esgotamento sanitário. A instituição coleta 75% do esgoto gerado no perímetro urbano no município e executa o tratamento de 43% desse montante.

De acordo com a empresa, até 2021 existe o compromisso de atingir a universalização do sistema de esgotamento sanitário na cidade, beneficiando diretamente cerca de 137 mil moradores, e deixando de despejar o esgoto de praticamente metade dessa população no Rio Atibaia.

Antes disso, porém, segundo a empresa, para o cumprimento da meta, ao longo dos próximos quatro anos serão investidos R$ 160 milhões em obras de ampliação e melhoria da rede. De acordo com o cronograma de investimentos, em 2019 serão feitas a modernização e a ampliação de uma Estação de Tratamento de Esgoto. As obras impactarão significativamente na eficiência da estação. Além disso, será construída outra estação para coletar e tratar o esgoto de 52 mil moradores.

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