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Região

Tragédia que matou dez em Capitólio conta com três frentes de investigação

Polícia Civil, MP e Marinha apuram desabamento em cânion turístico de MG que matou quatro moradores de Sumaré

Por Rodrigo Alonso

16 de janeiro de 2022, às 08h55 • Última atualização em 16 de janeiro de 2022, às 09h20

Além de oitivas e provas documentais, investigação deve apurar condições do local onde ocorreu desabamento de rochedo - Foto: Cristiano Machado - Imprensa MG

O acidente que matou dez pessoas em Capitólio (MG) no último dia 8, entre elas quatro moradores de Sumaré, é objeto de três frentes de investigação. A Polícia Civil de Minas Gerais, o MPMG (Ministério Público do Estado de Minas Gerais) e a Marinha apuram o caso com diferentes focos.

A polícia busca descobrir, principalmente, as causas do desabamento do rochedo que provocou as mortes. As investigações ocorrem sob condução do delegado regional de Passos, Marcos Pimenta.

Em conversa com jornalistas na última sexta-feira, ele informou que, até aquele momento, 17 pessoas já tinham sido ouvidas, entre elas vítimas que tiveram ferimentos leves. Segundo o delegado, peritos criminais especializados em geologia trabalham, desde quinta, em todo o trecho do cânion onde houve a tragédia.

“O que já sabemos é que essas placas rochosas têm uma tendência natural a se desprenderem. Então cabe à Polícia Civil apurar se houve alguma ação de terceiros para acelerar esse processo natural”, disse.

Entre os fatores externos que a polícia avalia, Pimenta citou a ação das chuvas, a proximidade com a rodovia limítrofe aos cânions e outras possíveis interferências, como construções urbanas. “Se houver uma entidade ou indivíduo que, de alguma forma, tiver contribuído para a aceleração da queda dessa placa, com certeza será responsabilizado criminalmente”, afirmou.

O MP, por sua vez, busca explicações por parte da Prefeitura de Capitólio e já solicitou esclarecimentos à administração por meio de ofício. O órgão quer saber se o município tinha informações sobre o perigo existente para os turistas, se existe mapeamento e identificação das áreas consideradas de risco e se há plano emergência em situação de desastre.

“O MPMG quer saber também se existe algum plano para evitar eventos como o ocorrido no dia 8 e, em caso positivo, quais as providências o município pretende adotar”, diz o MP em nota.

No caso da Marinha, há um inquérito que analisa os aspectos sobre a segurança da navegação, a habilitação dos condutores envolvidos, o ordenamento aquático do local e o cumprimento da legislação.

CPI. O presidente da Câmara de Sumaré, Willian Souza (PT), pediu aos vereadores de Capitólio, na última quinta, a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso. Ele fez a solicitação em reunião virtual com três parlamentares da cidade, inclusive a presidente do Legislativo local, Miriam Rattis (DEM).

“Nossa percepção é de que a tragédia de Capitólio poderia ter sido evitada com responsabilidade administrativa, fiscalização e prevenção para que turistas e trabalhadores não corram risco de vida no local”, declarou Willian, via assessoria de imprensa.

Em nota, a Prefeitura de Capitólio apontou que, desde o momento que soube do ocorrido, “vem atuando efetivamente em conjunto com as demais autoridades competentes”. “Ressaltamos nosso compromisso com a segurança e desenvolvimento do turismo sustentável em nossa região, o qual já vem sendo trabalhado com total seriedade por toda nossa equipe de colaboradores, que, diante do desastre natural ocorrido, está se empenhando ainda mais para termos maior segurança ao recebermos nossos turistas e também capitolinos”, comunicou.

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As vítimas de Sumaré são Maicon Douglas de Osti, que completaria 25 anos no último dia 9; Camila da Silva, de 18 anos, namorada de Maicon; Carmen Pinheiro da Silva, 43, mãe de Camila; e Geovany Teixeira da Silva, 37, namorado de Carmen.

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