Sumaré tem pior nível de escolaridade dos docentes

Segundo Censo Escolar 2018, apenas 74% dos docentes do ensino infantil da cidade estudaram até o ensino superior, o pior índice da RPT


Os docentes do ensino infantil de Sumaré têm o pior nível de escolaridade da RPT (Região do Polo Têxtil). Segundo levantamento realizado pelo LIBERAL junto ao Censo Escolar 2018, divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), apenas 74% dos docentes da cidade têm formação no ensino superior e 23%, ensino médio. O Censo inclui unidades escolares da rede pública e privada.

O percentual em Sumaré está bem abaixo das demais cidades da região, cujo índice de professores com graduação varia entre 86% (Hortolândia) e 93% (Santa Bárbara d’Oeste). Em Americana, 91% dos profissionais que atuam no ensino infantil têm ensino superior, e em Nova Odessa são 92%.

O ensino infantil engloba tanto a pré-escola quanto as creches. Nessas últimas, o percentual de docentes com ensino superior é ainda menor em Sumaré – apenas 18% têm graduação. A maioria dos profissionais tem ensino médio – 73% – e quase 8% estudaram somente até o ensino fundamental.

A prefeitura explicou que os profissionais que trabalham nas creches do município não são professores, e sim auxiliares ou recreacionistas. Questionado sobre a metodologia adotada para definição de docentes que constam no Censo, o Inep ressaltou que os docentes são os professores responsáveis pela regência de classe – e que o auxiliar/assistente educacional é o profissional que auxilia o docente nas turmas de escolarização.

“100% dos professores da rede municipal de ensino têm, no mínimo, Ensino Médio com Magistério. Nunca houve concurso da Prefeitura de Sumaré para professores em que fosse exigido menos que a qualificação de Ensino Médio com Magistério. Antigamente, o Magistério era realizado junto ao Ensino Médio e/ou Ensino Superior em Pedagogia”, finalizou o município.

LEI. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) determina que os professores tenham ensino superior. Contudo, admite como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental profissionais que tenham o nível médio.

“Embora estejamos amparados por políticas públicas específicas, ainda observamos que existe a concepção de que, criança, nesta idade, só precisa de uma cuidadora ou de uma babá, o que nos remete à lembrança da ‘maternagem’. Vale uma reflexão mais aprofundada sobre a importância do ‘brincar’ e do quanto ele precisa ser planejado por um professor”, destacou a psicopedagoga e coordenadora do curso de pedagogia do Unisal (Centro Universitário Salesiano), Marta Maria Pasquali Mancini.

Graduação

Todo profissional responsável pelo cuidado e ensino de crianças no ensino infantil, sejam eles professores ou auxiliares, deveriam ter formação em pedagogia. A avaliação é da doutora em psicologia e membro da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Angela Soligo.

A especialista defende que, com crianças pequenas, as funções de cuidado e educação se misturam. “Na interação você já está educando, na forma como fala com a criança, brinca com ela e nas ações que faz quando ela está chorando. Tudo isso implica uma função que é educadora”, explicou a doutora. Um dos motivos apontados pela especialista para que se dê preferência a profissionais com formação média e não superior é a economia com salários.

“As pessoas imaginam, principalmente com crianças pequenas, que alimentar, deixar limpo e em segurança é o suficiente. Isso não é verdade. Ela está em desenvolvimento e precisa de atividades que a estimulem, a façam experimentar algumas possibilidades”, defende. “É o curso de pedagogia que vai dar ferramentas para que os profissionais tomem decisões baseadas em conhecimentos, em pesquisas, em experiências bem-sucedidas e não no senso comum”.

Psicopedagoga e coordenadora do curso de pedagogia do Unisal (Centro Universitário Salesiano), Marta Maria Pasquali Mancini apontou que o curso de pedagogia capacita o profissional para desenvolver o amadurecimento cognitivo da criança.

“A educação infantil precisa ser planejada e comprometida com a ludicidade, a afetividade e o cuidado, pois a conciliação de tais elementos assegura um desenvolvimento saudável que refletirá no decorrer de toda a trajetória acadêmica da criança”, afirmou.

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