Todas cidades deveriam ter soro, diz médico

Para especialista da Unicamp, o ideal seria que todos os municípios de regiões com alta infestação de escorpiões tivessem o soro disponível


O ideal seria que todos os municípios de regiões com alta infestação de escorpiões, como a RPT (Região do Polo Têxtil), tivessem ao menos uma unidade de saúde com soro antiescorpiônico. A avaliação é do médico toxicologista e pediatra Fábio Bucaretchi, coordenador do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Atualmente, as doses do medicamento são armazenadas em sedes regionais e não são disponibilizadas em todos os municípios.

O órgão da Unicamp foi consultado pela equipe do Pronto-Socorro Dr. Edison Mano quando a menina Maria Eduarda Pigatto, de 10 anos, chegou ao local, na manhã de ontem. Ela não resistiu às picadas e morreu 1h30 depois, sem ao menos receber o soro.

O centro dá assistência nesse tipo de atendimento. Bucaretchi afirma que o soro não necessariamente evita morte, mas é muito importante. “Você tem às vezes uma situação dessas, uma criança dessa chega [em estado] grave, uma hora e pouco, com a soroterapia rapidamente eu posso às vezes ter um resultado de boa resposta”, afirma.

“Isso não quer dizer que a criança recebendo soro ela não possa evoluir para um quadro mais grave. Tem alguns que respondem bem, outros não.”

De acordo com o coordenador do CIATox, um dos indicadores de que a picada foi grave e que a vítima precisa tomar o soro é a ocorrência de vômitos sucessivos – justamente o que aconteceu com Maria Eduarda no pronto-socorro. A garota também estava agitada, o que pode ser sinal, em sua visão, de que o cérebro não estava sendo oxigenado.

A política de manter o soro em alguns locais estratégicos precisa mudar, afirma o médico. “Porque hoje o tipo de escorpião amarelo, que causa a maioria dos casos graves no brasil, principalmente no Sudeste, ele teve uma proliferação absurda nos últimos 15 anos”.

De acordo com Bucaretchi, as informações sobre o estado da garota apontam que é quase 100% certo que ela foi atacada por um escorpião amarelo – o padrasto da menina não soube informar se o aracnídeo foi encontrado.

Segundo o médico, esse tipo de escorpião se proliferou muito com a urbanização, o que deixou muita gente sob risco. Bucaretchi afirmou que vai participar de um congresso ainda neste mês, em Curitiba, e que a mudança na política de distribuição do soro deve ser debatida.

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