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Região

Somente 19% das empresas cumprem a cota de vagas para deficientes na região

Dos 206 estabelecimentos com 100 funcionários ou mais, só 41 atendem a legislação em Americana, Santa Bárbara, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia

Por Ana Carolina Leal

04 de junho de 2022, às 08h29 • Última atualização em 04 de junho de 2022, às 08h30

Stela Hideko trabalha há três anos como embaladora: oportunidade no mercado

Só 19% das empresas com 100 funcionários ou mais cumprem cota para PCDs (Pessoas com Deficiência) na RPT (Região do Polo Têxtil). O percentual consta em pesquisa realizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) em parceria com o Cesit (Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

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Pelo artigo 93 da lei 8.213/1991, empresas com 100 ou mais funcionários são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência. Nas cidades de Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, 206 empresas se enquadram nesse perfil, mas só 41 delas cumprem o que prevê a legislação.

Americana é o município com maior número de empresas com 100 funcionários ou mais e também o que menos emprega. Das 69 companhias, apenas 10, o equivalente a 14,5% do total, atendem a Lei das Cotas. Uma delas é a rede de supermercados São Vicente e Arena Atacado.

“A Inclusão é uma das frentes mais relevantes na cultura da rede São Vicente, investimos em treinamentos em todas as nossas lideranças para que tenham um acolhimento adequado das pessoas com deficiência. Neste conceito, ampliamos em 9% no último ano o número de PCDs em nossas equipes, alcançando 153 pessoas em nossas 20 lojas”, afirmou Luciana Bueno, gerente de gente e ESG (Meio Ambiente, Governança e Social).

Autista, Stela Hideko Righetto, 49, trabalha há três anos em uma das lojas do São Vicente como embaladora. “Acho muito bacana, fiz amizades, procuro minha independência, tenho vontade estudar. A gente deve se superar, nada é impossível”, declarou.

Nova Odessa é a cidade com maior número de empresas que cumpre a Lei das Cotas. Dos 27 estabelecimentos, sete oferecem vagas para PCDs, o que representa 25,9% do total. Em Santa Bárbara e Hortolândia, 25% das empresas atendem a legislação e, em Sumaré, só 16,7% cumprem cota.

A pesquisa revela ainda que as cinco cidades têm, juntas, cerca de 31.590 pessoas com algum tipo de deficiência na faixa etária entre 20 e 64 anos (potencialmente aptas ao trabalho) e apenas 6,4% delas conseguiram espaço no mercado de trabalho. Das 3.548 vagas previstas para PCDs, apenas 2.031 estão ocupadas.

PESQUISA. O estudo realizado pelo MPT e a Unicamp foi debatido em uma mesa redonda, na última terça, com empresas, representantes de prefeituras, Conselhos Municipais de Direitos das Pessoas com Deficiência, Câmaras Municipais e entidades da sociedade civil, com o objetivo de fomentar a contratação de PCDs e trabalhadores reabilitados nos 20 municípios que compõem a RMC (Região Metropolitana de Campinas).

“Os números demonstram que a maioria das pessoas com deficiência da RMC estão em idade laboral, aptas a ingressar no mercado de trabalho, sendo boa parte dessa população composta por trabalhadores admitidos com ensino médio completo e superior. Tal realidade é uma mostra de que a maior barreira que ainda se enfrenta no mundo do trabalho é a do preconceito e da falta de informação. As PCDs são tão capazes e competentes para o trabalho como qualquer outro trabalhador”, afirmou a procuradora Danielle Olivares Corrêa.

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