Renúncia impede que dom Vilson receba punição do Vaticano

Investigação sobre “relatório” enviado por arcebispo foi fechada com pedido de saída de dom Vilson


A renúncia de dom Vilson ao comando da Diocese de Limeira impede que ele receba alguma punição do Vaticano pelos crimes de que é suspeito, como extorsão, acobertamento de abusos na região e enriquecimento ilícito.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Quadro com a foto de dom Vilson na Diocese de Limeira; ele agora se torna bispo emérito e perde o comando

“Com a renúncia dele, cessam esses problemas, a não ser processos da área civil. Mas da parte da igreja está resolvido, porque renunciando, da parte da igreja foi o máximo que ele pode fazer”, disse em coletiva o novo administrador da diocese de Limeira, dom Orlando Brandes na manhã desta sexta-feira.

O Vaticano enviou a Limeira o bispo dom João Inácio Müller para investigar as suspeitas de abuso sexual e corrupção dentro da igreja em 20 de fevereiro, após um inquérito policial ser aberto em Americana, Limeira e Araras. Além de dom Vilson, o padre Pedro Leandro Ricardo era o outro alvo de denúncias.

Ele conversou com dom Vilson e com padres do Conselho de Presbíteros, formado pelo bispo e mais 14 sacerdotes, e deixou a cidade dois dias depois, sem apresentar esclarecimentos à imprensa.

Um “relatório” foi enviado a Roma – e estava sendo analisado pelo Vaticano. A investigação segue sob sigilo canônico, portanto, os depoimentos e a conclusão de dom João não foram revelados.

Com a renúncia, porém, a análise do Vaticano se encerra, informação confirmada também pela assessoria da diocese. “Ao dom Vilson pedir renúncia, cessa todo esse processo”, afirmou. De acordo com dom Orlando, as consequências cabem à esfera civil.

Com isso, dom Vilson segue podendo ministrar missas e crismas – ele só seria impedido de realizar essas atividades, caso perdesse o estado clerical, o que só pode acontecer se novas denúncias surgirem contra ele. “Se houvesse um problema mais grave, como pedofilia, isso voltaria para o Vaticano”, completa.

Novamente a assessoria de diocese confirmou a versão. “Dom Vilson poderá ser condenado a algo mais caso surjam novos apontamentos que não foram ainda apresentados a dom João quando esteve aqui e que não foram analisados pela congregação dos bispos”, escreveu.

A reportagem questionou a assessoria sobre a suspeita de enriquecimento ilícito que paira sobre dom Vilson. Foi perguntado se em caso de condenação judicial, ele seria obrigado a devolver o dinheiro à igreja. A resposta foi que a decisão caberia ao Vaticano.

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