Região tem menor índice de dengue na década

Foram confirmados 97 casos nos cinco municípios da região em 2018; em relação ao ano anterior queda foi de 55%


A RPT (Região do Polo Têxtil) teve o ano com menor incidência de casos de dengue nesta década. Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, foram 97 pessoas contaminadas nas cinco cidades da região em 2018.

O número de casos no ano passado é menos da metade da quantidade registrada em 2017 na RPT, quando haviam sido contaminadas 219 pessoas. A região vai na contramão do Estado de São Paulo, que viu as notificações aumentarem de 6.629 para 10.319.

Especialistas creditam a queda ao fato do tipo de vírus que está circulando já ter contaminado muitas pessoas em anos anteriores. O tipo 1 da dengue provocou uma epidemia entre os anos de 2014 e 2015, tornando imune que já contraiu a doença. Existem quatro tipos da doença, e cada pessoa só adquire cada vírus uma vez na vida.

Foto: Editoria de arte / O Liberal
Levantamento mostra os números da doença nas cidades da região

O professor Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu, explicou que já há indícios da circulação do tipo 2 do vírus da dengue e que ele pode provocar uma epidemia, inclusive com aumento na mortalidade.

“A reincidência da dengue aumenta o risco de doença grave. Além disso, o próprio tipo 2 tende a ser mais forte. O risco de uma epidemia com dengue do tipo 2 é considerável”, alertou.

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Regiane de Paula, disse que além do alerta para o tipo 2, a secretaria está atenta para um crescimento nos casos de chikungunya. Desde que surgiu, em 2015, não houve muitos casos da doença em São Paulo. Contudo, em 2018 as notificações em Estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, aumentaram.

“Estamos olhando os fatores de risco e monitorando a incidência da dengue e das outras doenças transmitidas pelo mosquito. Sabemos que as pessoas estão suscetíveis aos casos de chikungunya, pode ser que venha a ter mais do que em outros anos”, afirmou.

Ela explicou que no momento há 17 cidades com comprovação laboratorial da circulação do tipo 2 da dengue. Uma delas é Santo Antonio de Posse, que fica dentro do GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) de Campinas, do qual a RPT faz parte.

No ano passado, o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde, Marcos Boulos, havia informado ao LIBERAL que o tipo 2 já havia sido encontrado em mais de 100 cidades do Estado. Questionada sobre a divergência apontada pelas duas fontes da pasta estadual, a assessoria de imprensa disse que esse número informado por Boulos era uma “estimativa”.

Os dados estaduais de dengue foram contabilizados até 12 de dezembro. A Prefeitura de Americana enviou o boletim epidemiológico mais atualizado, no qual foram confirmados mais três casos, chegando a 16 no ano passado. Em Hortolândia esse número chegou a 38 e em Santa Bárbara d’Oeste, 12. Mesmo com essas atualizações, o ano segue tendo o menor número de casos na última década.

Americana, Hortolândia e Santa Bárbara d’Oeste informaram que não houve morte por dengue no ano passado. Nova Odessa e Sumaré foram procuradas, mas não responderam.

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