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Região

Prisão de 11 policiais militares em Campinas está ligada à morte de motorista de app em Sumaré

Policiais são suspeitos de participar de uma série de crimes como homicídio, chantagens e ameaças

Por Maria Eduarda Gazzetta

25 nov 2021 às 18:00 • Última atualização 25 nov 2021 às 18:04

O Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP) mandou prender 11 policiais militares do 35º Batalhão de Campinas, suspeitos de envolvimento com homicídios, fraudes e coação. As prisões, que ocorreram na última terça-feira, têm relação com a morte de um motorista de aplicativo de 26 anos em Sumaré, após uma perseguição policial em setembro deste ano.

O jovem teria sido feito refém por dois criminosos e obrigado a participar de um roubo, mas acabou baleado pela PM.

“Esse crime foi fundamental para a prisão dos policiais. A partir do holofote que foi jogado sobre este caso, os outros crimes começaram a aparecer. Você vai ligando um policial a outro caso, por meio de interceptações telefônicas, e chega a esse cenário que temos hoje”, explicou ao LIBERAL o segundo promotor de Justiça Militar, Edson Correa Batista.

No caso de Sumaré, além do homicídio, há suspeita de fraude processual por parte dos policiais – uma arma de fogo “disparada” teria sido plantada, algo que faria parte do modus operandi do grupo. O episódio também é apurado em inquérito policial militar pelo 48º Batalhão da PM em Sumaré.

A prisão preventiva dos suspeitos foi decretada pelo TJM após o pedido da Corregedoria da PM com base em uma investigação que mostra a participação dos policiais em uma série de crimes, como homicídios, chantagens, pressões, ameaças e, de acordo com o promotor, a formação de uma organização para a prática de violência.

Em trecho da decisão que determinou a prisão, o juiz Ronaldo João Roth escreveu que os investigados se envolviam intencionalmente em ocorrências com morte, por sentimento pessoal.

“Coagindo testemunhas, fraudando locais de crime, exigindo vantagens ilícitas, quebrando sigilos de forma ilegal, coagindo e ameaçando civis”, descreve promotor.

O promotor apontou ainda outras práticas que eram usuais dos militares e que podem ter sido usadas também no crime que ocasionou a morte o motorista de aplicativo em Sumaré.

“Era comum usarem rastreador em veículos para o cometimento desses crimes. Plantavam armas e, inclusive, alguns civis tinham fardas que esses PMs cediam”, comentou. Para o promotor, essa quadrilha é uma das “mais nefastas dentro da Polícia Militar”.

A decisão judicial sobre a prisão relata ainda episódio em que um policial militar teria abordado um civil e implantado um aplicativo para monitorar seu celular – uma vigilância que incluía, por exemplo, acesso a áudios, câmeras e aplicativo de mensagens em tempo real.

Na noite desta quarta-feira foi realizada uma audiência de custódia onde a prisão temporária dos investigados foi mantida. Os 11 policiais foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes. Entre eles, estão dois sargentos, quatro cabos e cinco soldados.

As causas que motivaram todos os crimes que os policiais cometeram ainda estão sendo investigadas pela equipe. “As investigações são embrionárias. Ainda não encontramos motivo, parece que eles matavam somente por prazer”, afirmou o promotor ao LIBERAL.

Com a prisão preventiva em curso, a Corregedoria tem 20 dias para encerrar as diligências, de acordo com o promotor. “Como os alvos estão presos e não se pode trabalhar com um prazo mais elástico, temos que trabalhar para trazer uma solução para os casos o mais depressa possível. Depois do prazo, vamos deliberar qual a providência a ser adotada pelo caso, para saber se vai denunciá-los”, concluiu.

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Outro lado
Em nota, a SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus agentes e defende a rigorosa investigação de toda e qualquer denúncia contra eles.

“As prisões realizadas, em Campinas, são resultado de um trabalho da própria Corregedoria da Polícia Militar que, diante da suspeita de irregularidades envolvendo policiais da instituição, instaurou um inquérito policial militar e remeteu à Justiça Militar”.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar foi procurada, mas até o fechamento desta reportagem não respondeu sobre as acusações envolvendo os militares. O LIBERAL também não encontrou contatos de advogados que representem os policiais presos.

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