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Região

Pesquisadora da PUC-Campinas busca recuperar paladar e olfato afetados pela Covid

Experimento foca na laserterapia, em que um laser é aplicado em 18 pontos da língua do paciente

Por Stela Pires*

16 de maio de 2022, às 07h21 • Última atualização em 16 de maio de 2022, às 08h17

Infectada duas vezes, Nilceia, de Americana, agora sente odor ruim e aversão a café - Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG

Uma pesquisa realizada pelo programa de pós-graduação em ciências da saúde da PUC-Campinas quer recuperar o olfato e paladar de pessoas que perderam os sentidos por conta da Covid-19. Desenvolvido pela mestranda e pesquisadora Letícia Parreira, o projeto consiste na laserterapia com o intuito de saber se o laser é efetivo ou não na recuperação dos pacientes. O tratamento é oferecido de forma gratuita para 90 voluntários.

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O laser é aplicado em 18 pontos da língua do paciente, referentes às papilas gustativas, nas glândulas salivares, e também na artéria carótida. A aplicação deve estimular a recuperação das células que foram lesionadas pela Covid-19, acarretando na melhora do quadro de perda dos sentidos.

“A luz nas células estimula o tecido de granulação, que é o tecido que faz a cicatrização, porque a Covid destrói as células”, disse a pesquisadora.

O tratamento foi inspirado em outro que já existe e trata a mucosite oral, condição que acomete pacientes com câncer que passam por quimioterapia e radioterapia.

Além disso, os pacientes serão orientados a fazer uma terapia olfativa como apoio do tratamento em casa. Segundo Letícia, eles devem cheirar limão, rosa e eucalipto três vezes ao dia.

“É muito cedo para falar, porque não foram tantos pacientes [submetidos ao tratamento], mas todos tiveram evolução”, disse.

A dona de casa Nilceia de Oliveira Silva Cruz, de 48 anos, moradora de Americana, pegou Covid-19 em março de 2021 e teve a reinfecção da doença no fim do mesmo mês. Foi nessa segunda vez que perdeu o olfato e paladar, que não foram mais os mesmos desde então.

“Eu não tomo mais café, porque o café fede. E, além de ele feder, ele é muito ruim, e eu tomava todos os dias”, disse. De acordo com ela, o quadro começou a piorar há cerca de dois meses, o que dificulta as refeições. Nilceia diz ter perdido 7 kg desde então.

Ela se inscreveu no projeto da universidade com esperança de que conseguirá voltar a comer. Até então, a dona de casa procurava a laserterapia em Americana, mas não encontrava em nenhum lugar.

A professora Letícia Pereira Zanetti, de 25 anos, também moradora de Americana, e que perdeu os dois sentidos há quase um ano, chegou a sugerir a terapia com laser ao médico com quem estava tratando sua perda de sentidos, mas ele encarou a sugestão com ceticismo. “O último médico que eu fui, que foi o otorrino, disse que não tem o que fazer, tem que esperar”, disse.

VOLUNTARIADO. Os interessados em participar da pesquisa podem procurar pelo WhatsApp (19) 99285-9721 informando o desejo em participar e confirmando que se enquadra nos requisitos, como ser maior de idade.

Os pacientes serão divididos em dois grupos, um experimental e outro de simulação. Com isso, será possível confirmar se a utilização da laserterapia é eficaz para tratar esses sintomas.

*Estagiária sob supervisão de João Colosalle

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