Penitenciárias e CDPs da região têm 67 presos que se declaram LGBTQI+

Número é resultado de levantamento da Secretaria de Administração Penitenciária e deve ajudar em políticas de inclusão


Foto: Arquivo / O Liberal
Na região, que tem unidades prisionais em Americana, Sumaré e Hortolândia, sete presos se declararam transexuais, por exemplo

Um levantamento feito pela SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) apontou 67 presos na região que se identificam como LGBTQI+, sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers e intersexuais.

Os dados foram divulgados no mês passado e são baseados em pesquisa inédita feita em outubro pela secretaria, que contabilizou 869 transgêneros sob custódia no Estado.

A SAP localizou 5.680 presos LGBTQI+ dentre os 232,9 mil custodiados na época, o que representa 2,4% da população encarcerada no Estado.

Na região, que tem unidades prisionais em Americana, Sumaré e Hortolândia, sete presos se declararam transexuais, por exemplo.

Para Charles Bordin, diretor do Centro de Políticas Específicas, vinculado à SAP, o levantamento é necessário para a elaboração de políticas públicas eficientes.

“O próximo passo é fazer uma pesquisa mais aprofundada do perfil dessas pessoas, para entender de onde elas vêm, por que foram encarceradas”, esclarece.

Dentre as ações de reintegração social para a população LGBTQI+ estão cursos de capacitação, treinando reeducandas trans e gays como auxiliares de cozinha ou formando maquiadores profissionais.

“São exemplos de políticas que começam a ser desenvolvidas para posteriormente se espalharem pelo Estado”, aponta Charles Bordin.

A pesquisa também procurou entender a preferência desta população quanto à permanência em unidades masculinas ou femininas.

Das 682 travestis e mulheres trans que preencheram esse item no questionário, 535 (78%) expressaram a preferência de permanecer em unidades exclusivamente masculinas. Entre os homens trans, 82% dos que responderam ao questionamento se declararam a favor de permanecer em unidades femininas.

VÍNCULO AFETIVO. Para Bordin a preferência se deve à necessidade que estes grupos têm de manter um vínculo afetivo no encarceramento. Isso se revela principalmente quando casais pedem para coabitar a mesma cela, tendo o relacionamento reconhecido.

“A gente ainda vive em uma sociedade que tem bastante LGBTfobia, principalmente transfobia. Sabemos que as pessoas trans, travestis e mulheres transexuais, principalmente, recebem muito pouco apoio das famílias. Um número muito reduzido recebe visitas ou amparo material com a família enviando coisas necessárias”, conta o diretor.

O relacionamento amoroso acaba sendo um apoio necessário no cárcere, essencial até para a saúde mental. Por isso as políticas públicas vão no sentido de “preservar vínculos afetivos gerados dentro do cárcere”, como esclareceu o diretor.

“Muitos são encarcerados pela vulnerabilidade que a sociedade gera em torno dessas pessoas. Por isso, a sociedade também precisa participar do processo de reintegração”, conclui Bordin.

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