PCC controla 42 pontos de tráfico de drogas em Sumaré e NO

Documentos apreendidos listam “lojas” da facção e mostram que integrantes planejavam furto a banco e julgamento de estuprador


Anotações apreendidas pelo Ministério Público e pela Polícia Militar, nas investigações da Operação Ferrolho, deflagrada no mês passado na região, apontam que o PCC (Primeiro Comando da Capital) controlava pelo menos 42 pontos de venda de drogas em Nova Odessa e Sumaré.

O documento foi encontrado em março pela PM durante a prisão de um homem apontado como o responsável pela rifa da facção, setor que obriga membros da organização a comprarem números para sorteios de prêmios como carros e até apartamentos.

De apelido Faustão e Assombroso, o homem foi identificado pela investigação por aparecer em diversas ligações interceptadas de outros suspeitos. Na casa dele, em Sumaré, a polícia encontrou folhas com anotações sobre o movimento do tráfico, das rifas e dos cadastros de participantes da facção.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
1533: Inscrição que faz referência às iniciais da facção em imóvel em Santa Bárbara

Os papeis estão na denúncia de 362 páginas apresentada pelo Ministério Público à Justiça da cidade, ao qual o LIBERAL teve acesso nesta semana.

Em um deles, uma folha de caderno traz uma lista de “lojas” do PCC em Nova Odessa e Sumaré. A gíria “loja” é uma das definições que a facção dá para os pontos de venda de drogas. Na primeira cidade, eram 12 lojas em sete bairros. Em Sumaré, eram 30 pontos de venda, a maior parte na região do Jardim Picerno, periferia da cidade, e na Vila Soma, área ocupada desde 2013 no bairro Parque Residencial Manoel Vasconcelos.

Segundo o promotor Ricardo Ferracini Neto, responsável pela investigação, a anotação indica a propriedade, mas não garante que sejam todos as lojas da facção. “É uma parte dos pontos de droga da facção nas cidades”, comentou. Não há informação se os pontos continuam em atividade.

DESMONTE

A Operação Ferrolho teve origens em investigações do Gaeco, braço do MP que combate o crime organizado, de Piracicaba e na morte do cabo da PM João Eduardo do Prado, em setembro do ano passado, em Hortolândia.

A partir do monitoramento do suspeito do assassinato, investigadores descobriram a relação dele com a teia de integrantes do PCC em Sumaré, Nova Odessa, Hortolândia e Monte Mor.

Durante três meses de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, ouviu-se nos celulares dos criminosos discussões sobre o movimento do tráfico, a inclusão e exclusão de “irmãos” na facção, o planejamento de furtos, roubos, homicídios e até de um julgamento paralelo, o chamado “tabuleiro”, de um suspeito de estupro em Santa Bárbara d’Oeste.

O monitoramento e o cruzamento de informações possibilitaram a identificação e prisão de líderes do PCC em Sumaré, Hortolândia e Monte Mor, bem como dos responsáveis pela “disciplina” dos integrantes, pela comunicação (o chamado “salveiro”) e pelos responsáveis pelo “progresso” (o tráfico de drogas). Catorze pessoas foram denunciadas e responderão por integrar organização criminosa.

AS ‘LOJAS’ DA FACÇÃO: Anotação com lista de pontos de venda de droga foi apreendida pela Operação Ferrolho

Nova Odessa
Jardim Alvorada: 2 pontos
Jardim das Palmeiras: 2 pontos
Altos do Klavin: 1 ponto
Jardim Santa Rita: 2 pontos
Jardim Capuava: 1 ponto
Monte das Oliveiras: 1 ponto
Jardim São Jorge: 3 pontos

Sumaré
Jardim São Judas I: 2 pontos
Jardim São Judas II: 2 pontos
Parque Salerno: 2 pontos
Vila Soma: 4 pontos
Parque Florely: 1 ponto
Cidade Nova: 1 ponto
Maria Antonia: 3 pontos
Jardim dos Ipês: 1 ponto
Jardim Manchester: 1 ponto
Jardim Viel: 1 ponto
Jardim Picerno: 9 pontos
Residencial Bordon: 2 pontos
Jardim Manchester: 1 ponto

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