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Região

Pandemia afeta entidades, que se esforçam para fechar as contas

Queda nas arrecadações, impedimento de realizar eventos e redução nas vendas do comércio, com impactos em doações, colocaram instituições em crise

Por Marina Zanaki

17 jan 2021 às 09:49 • Última atualização 17 jan 2021 às 09:50

O trabalho das entidades de Americana e região tem enfrentado obstáculos com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Mesmo as instituições que mantêm convênio com as prefeituras precisam complementar a renda para conseguir fechar as contas no final do mês.

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Esse dinheiro é levantado por meio de festas e eventos, que desde o ano passado estão proibidos para evitar aglomerações. Outro grande aliado dessas instituições são as doações de pessoas físicas e jurídicas, mas a crise econômica fez com que os repasses despencassem.

A coordenadora do Lar dos Velhinhos São Vicente de Paulo em Americana, Lilian Cioldin, diz que período tem sido de aprendizado – Foto: Fotos Ernesto Rodrigues – O Liberal

Por fim, o fechamento do comércio levou à queda nas vendas e impactou no programa da nota fiscal paulista, que também é revertido às entidades.

Na última semana, o LIBERAL conversou com cinco entidades. Todas relataram que vivem um dos momentos mais dramáticos para o terceiro setor.

QUER AJUDAR?

Procure pelas entidades citadas na reportagem

Apae Americana
2108-9393

CPC
3461-6364

Fundação Letícia Duarte
3461-1156

Lar dos Velhinhos
3461-1449

Anjos Peludos
98817-7248
98817-7249

A situação mais complicada é da ONG Anjos Peludos, que atende quase 200 animais abandonados e corre risco real de ter que fechar as portas.

Presidente da entidade, Cristiane Ochuiuto Marques estima um gasto mensal que gire entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, entre aluguel e ração. A queda na arrecadação foi agravada nos últimos meses com a pandemia. Diante da impossibilidade de realizar eventos para não gerar aglomerações, a entidade contraiu dívidas.

“Eu não tenho interesse em fechar a ONG, eu amo aquilo que faço, e faço de coração. Mas se tiver que continuar, não pagar aluguel, aonde levo eles? Onde vou por 200 animais?”, disse Cristiane, que se emocionou ao falar do risco de encerrar os trabalhos.

A entidade tem negociado a possibilidade de um auxílio junto à prefeitura, e enquanto isso lança mão de bazar online e apela por doações.

SUSPENSÃO. Os contratos de trabalho de 75 funcionários da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Americana precisaram ser flexibilizados em 2020, com suspensões e redução de carga horária. Desde o dia 4 de janeiro, todos esses funcionários estão retornando.

Tradicional no município, a entidade sofreu ao deixar de receber de dois convênios vinculados à prestação presencial de atendimento. Para conseguir arrecadar fundos, passou a juntar tampinhas de garrafa, investiu na nota fiscal paulista, rifas e vendas por drive-thru. “A Apae completa 53 anos em abril, trabalho aqui há 24 anos. Nesse período em que estive presente, e pelo histórico de outras pessoas, a gente nunca imaginou uma situação como essa”, contou a coordenadora de comunicação da Apae, Quelis Zacardi.

“Atingiu todo mundo, além do risco da doença, a parte econômica. Tivemos empresas e contribuintes que pediram um tempo, mas a grande maioria teve o espírito de solidariedade, doação, e tentou outras formas de contribuir. Foi um ano muito difícil, e de muito aprendizado”, disse Quelis.

A Apae tem voltado a oferecer atividades presenciais individuais, conseguindo resgatar esses convênios, e programa receber o retorno das aulas este ano.

REINVENTAR. Coordenadora do Lar dos Velhinhos São Vicente de Paulo em Americana, Lilian Jordão Cioldin contou que a entidade tem buscado se reinventar. Os eventos planejados para o ano passado foram substituídos por vendas de marmitas. O planejamento para o primeiro semestre de 2021 já foi feito com base nessa realidade, e em março será realizada a venda de uma paella caipira.

O principal aliado da entidade tem sido a iniciativa privada. “Lançamos nas mídias sociais o programa Empresa Parceira do Lar, tentando trazer novos empresários, novos parceiros para nos auxiliarem nesse ano de 2021”, contou Lilian.

ADAPTAÇÕES. Em alguns locais, a redução nas receitas veio acompanhada de um aumento na carga de trabalho. Assistente social do CPC (Centro de Promoção à Cidadania) da Pessoa com Deficiência Visual, Rosimary Favarelli Toledo contou que o desafio de se adaptar ao online é dobrado entre as pessoas com deficiência visual.

“Para atender o deficiente visual, você tem que estar muito próximo, pegar na mão, colocar no colo uma criança para fazer uma atividade. Com adulto é diferente, mas para fazer uma atividade com uma pessoa que não enxerga, tem que fazer o movimento junto”, contou.

Como muitos dos usuários do serviço possuem, além da deficiência visual, alguma doença associada, são considerados de risco para o coronavírus. Na semana passada a entidade perdeu uma voluntária para a Covid-19. Tudo isso tem mantido o CPC nos atendimentos à distância, aumentando a necessidade de um apoio psicológico.

“Sempre trabalhamos a questão de não ficar isolado em casa, e pela pandemia estamos trabalhando o contrário, então estamos trabalhando muito o emocional”, finalizou a assistente social.

PREOCUPAÇÃO. Presidente da Fundação Leticia Duarte, Alexandra Salomão disse que houve uma redução de 90% das doações em função da crise econômica. Ela calcula que a entidade deixou de realizar 10 eventos nos últimos meses, que teriam ajudado a levantar um montante de R$ 180 mil.

Além disso, o repasse da prefeitura esteve reduzido no período em que as aulas estavam suspensas. A expectativa é que a creche possa voltar a atender com aulas presenciais e assim o convênio seja pago integralmente.

“Estou muito preocupada, não sei o que vai acontecer, não sei se a educação infantil vai retornar. Fiz uma reunião com meus funcionários e a única resposta que tenho é: não sei”, desabafou a presidente.

A Prefeitura de Americana disse que a decisão sobre o retorno das creches será tomada após uma reunião com gestores e prefeitos, marcada para o dia 19 de janeiro, em Jaguariúna.

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