Os acontecimentos que marcaram a Região do Polo Têxtil

Confira quais foram os principais acontecimentos nas cidades de Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia em 2018


TRÂNSITO

A Prefeitura de Americana promoveu este ano uma série de mudanças no trânsito. As alterações começaram em fevereiro, com inversões de mãos de direção em seis vias, entre elas a Rua Dom Pedro II. Em outubro, o Viaduto Amadeu Elias se tornou mão única de direção, sentido bairro.

A mudança causou muitas queixas inicialmente, porque o congestionamento foi transferido para outros pontos, entre eles a Avenida Saudade, perto do Viaduto Centenário. Em novembro, o Centenário passou a ter três faixas, duas sentido Centro, o que acabou com o tráfego no local. No Amadeu Elias, a prefeitura precisou fazer no final de novembro uma faixa de remendo para os bombeiros, na contramão do restante dos veículos.

ESCORPIÃO

Maria Eduarda Pigato, de 10 anos, foi picada por um escorpião no Jardim Europa, em Santa Bárbara d’Oeste, e morreu. Após esta ocorrência, a preocupação com o número de casos e medidas voltadas ao combate aos escorpiões cresceu entre a população.

Em Americana, uma petição virtual superou 20 mil assinaturas pedindo o controle químico de escorpiões diante do aumento no número de pessoas picadas pelo animal. A prefeitura, diante de pressões e sugestões de técnicos, acabou anunciando o controle químico das baratas, principal alimento dos escorpiões, que deve ser feito em 2019.

COMBUSTÍVEL

O LIBERAL revelou em 20 de julho que boa parte dos postos de Americana estava cobrando preços idênticos. Dos 32 estabelecimentos com bandeira visitados, 24 cobravam o mesmo. Nos 19 sem bandeira, a igualdade se repetia em 17.

Enquanto isso, em Nova Odessa e Sumaré, os preços eram até R$ 0,40 mais baratos, o que fez consumidores de Americana boicotarem os postos locais e dirigirem até as cidades vizinhas. Em agosto, um dono de posto publicou um vídeo denunciando o cartel. Em setembro, o Ministério Público abriu inquérito. O Cade, órgão federal que investiga o assunto, não viu indícios da prática, conforme noticiado em 2 de novembro.

FEBRE MACULOSA

A febre maculosa assustou os moradores de Americana. Em maio já eram cinco mortes e a confirmação de que a cidade enfrentava um surto da doença. Para tentar conter o seu avanço, a prefeitura proibiu o acesso a áreas de mata às margens do Ribeirão Quilombo e represa do Salto Grande. O município chegou a concentrar 29% dos casos de todo o Estado. Até julho eram nove mortes em dez casos confirmados.

A região do bairro Antônio Zanaga foi a mais atingida, mas a doença fez vítimas também na região. Um morador de Sumaré morreu após contrair a doença num pesqueiro de Americana. Apenas duas pessoas contaminadas pelo carrapato estrela sobreviveram em Americana no ano. Entre elas, um menino de 7 anos.

ÁGUA

A falta de investimento há anos na rede de água de Americana ficou escancarada com uma série de problemas de abastecimento em diferentes pontos da cidade no mês de dezembro, agravados pelo forte calor do mês. A prefeitura admite que não existe solução a curto prazo e pede economia e uso racional, enquanto busca soluções a médio e longo prazos.

PROFESSOR

Dispensas de alunos por falta de professores, classes superlotadas e até uma criança de 2 anos saindo sozinha pelo portão da frente de uma creche foram alguns dos episódios que marcaram o ano na educação. Em maio, o Ministério Público abriu inquérito para apurar a falta de professores – que ficou notória, segundo a Promotoria, após a demissão de servidores em estágio probatório.

Em 13 de setembro, o prefeito Omar Najar (MDB) foi pressionado por um grupo de educadoras que pintou um cenário de caos no setor. Em meio à série de problemas, Juçara Florian foi demitida do comando da Secretaria de Educação no dia 11 de outubro. Evelene Medina assumiu e pediu, no mesmo mês, a contratação emergencial de 45 professores e 20 serventes, que está prevista para o início de 2019.

AGUAPÉS

Em setembro, moradores da Praia Azul começaram a se mobilizar diante da proliferação de aguapés na Represa do Salto Grande. Em 21 de outubro, o LIBERAL mostrou que em um ano sem a remoção mecânica a quantidade de plantas no local dobrou.

Em tratativas com o Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), a CPFL Renováveis propôs a antecipação do vertimento das algas por uma comporta no Rio Piracicaba, medida ainda não autorizada. Diante das reclamações, a concessionária retomou a retirada mecânica no início de dezembro.

FILA

Em novembro, o LIBERAL mostrou que a espera para conseguir uma consulta com clínico geral na rede municipal podia chegar a sete meses. O problema se agravou ao longo do ano.

Em julho, a espera média era de dois meses e o subsecretário de Saúde Rodrigo Leon atribuiu a situação à fuga de profissionais da rede. Na unidade do Jardim São Paulo, uma das mais problemáticas de Americana, idosos chegaram a madrugar na fila para tentar um encaixe com um clínico geral, como mostrou O LIBERAL em 1º de novembro. A prefeitura vai tentar contratar uma empresa para fornecer 19 médicos de atenção básica.

GREVE

Em um movimento pela redução do preço do diesel, caminhoneiros de todo o país realizaram uma greve histórica em maio. O principal reflexo nas cidades – inclusive na região – foi a escassez de combustível. Centenas de pessoas passaram madrugadas em filas à espera de gasolina e etanol, com os preços disparando nas bombas.

Prefeituras publicaram decretos de emergência, para garantir o abastecimento de ambulâncias, escolas suspenderam aulas e até audiências judiciais foram desmarcadas por conta da dificuldade de locomoção. O movimento resultou na saída do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, que discordou da nova política de preços dos combustíveis adotada pelo governo federal para convencer os motoristas a retornarem ao trabalho.

CRISE

Três empresas que simbolizavam o progresso da região fecharam as portas ou reduziram suas atividades em 2018. A primeira delas foi a centenária Usina Furlan, de Santa Bárbara d’Oeste, que fechou em julho o arrendamento de seus canaviais aos grupos São Martinho e Raízen. A operação resultou na desativação de seu complexo industrial na cidade e na demissão de cerca de 370 trabalhadores.

Também em Santa Bárbara, a Têxtil Canatiba decidiu, em agosto, fechar uma de suas três plantas industriais. A empresa passa por um processo de recuperação judicial e afirma que a situação é “temporária”. Foram 320 demissões. Em novembro, a Unitika decidiu encerrar as atividades em Americana. A fábrica têxtil atuava na cidade desde 1961 e tinha 350 funcionários.

ELEIÇÃO

A Região do Polo Têxtil perdeu uma representante na Câmara federal e manteve o número de deputados eleitos para a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Dos dois deputados federais – Ana Perugini (PT) e Vanderlei Macris (PSDB) – apenas o segundo conseguiu a reeleição. No Estado, Chico Sardelli (PV) não conseguiu votos suficientes para se manter no cargo.

Cauê Macris (PSDB) e Dirceu Dalben (PR) foram os deputados estaduais eleitos pela região. As cidades da RPT votaram em peso no presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tanto no primeiro quanto segundo turno. Em todas elas, o candidato recebeu mais de 65% dos votos válidos no segundo turno.

ÔNIBUS

Em 27 de abril, a concessionária VPT (Viação Princesa Tecelã) adotou o Sistema Radial em Americana e, dias depois, começaram as reclamações. Em 3 de maio, a VPT faz algumas alterações, mas o sistema acaba barrado pelo prefeito em 17 de maio.

Em 15 de setembro, o prefeito rompeu contrato com a VPT e, sete dias depois, anunciou a contratação emergencial da Sancetur. Em 8 de novembro, trabalhadores da VPT cruzaram os braços e a Sancetur acabou antecipando a entrada na cidade, antes prevista para 1º de dezembro, para 11 de novembro.

RADAR

A Prefeitura de Americana instalou novos radares de fiscalização de velocidade em cinco avenidas em 2018: Abdo Najar, Brasil, Cillos, Gioconda Cibin e Padre Oswaldo Vieira de Andrade. A expansão era pretendida desde o início do ano, mas os aparelhos só começaram a operar entre julho e agosto.

A empresa contratada havia instalado equipamentos em desacordo com a legislação, vetados pelo Inmetro, e teve de trocá-los. Durante o episódio, o prefeito Omar Najar (MDB) chegou a chamar o Inmetro de “porcaria.” Agora, são 14 pontos de fiscalização. Em Santa Bárbara d’Oeste, O LIBERAL revelou em setembro que os radares não funcionam desde março.

SHOPPING

Anunciado em 2012 como o primeiro shopping da cidade, o Praça Americana empacou. Como revelou O LIBERAL em 21 de julho, empresas que haviam pagado pelo direito de ter uma loja no local recorreram à Justiça para pedir o dinheiro de volta – ao menos duas conseguiram decisões favoráveis.

O investimento anunciado era de R$ 240 milhões, num negócio com 230 lojas na Avenida Brasil – espaço que hoje permanece vazio. Em abril de 2017, um engenheiro da empresa responsável disse que as obras começariam no segundo semestre daquele ano.

IPTU

Sempre alvo de polêmica, a votação do reajuste do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de Americana foi marcada por manobras políticas. Primeiro, o projeto foi barrado com manobra de Rafael Macris (PSDB), que havia acabado de deixar a base do prefeito Omar Najar (MDB).

Na semana seguinte, entretanto, o governo conseguiu o retorno do projeto para a câmara em regime de urgência e, com a substituição do ex-vereador Guilherme Tiosso (Pros) (foto), que havia votado contra, por Geraldo Fanali (PRP), a votação foi favorável e o projeto passou. Um dia após faltar à sessão, Tiosso foi anunciado secretário adjunto na prefeitura.

VEREADORES

Entre abril e julho, os vereadores de Americana receberam irregularmente um reajuste salarial de 2,49% que havia sido rejeitado em plenário. A situação foi corrigida após denúncia do LIBERAL e os valores foram devolvidos. Em 9 de novembro, nova polêmica: os parlamentares rejeitaram projeto de autoria do vereador Marschelo Meche (PSDB) de cortar pela metade o subsídio dos parlamentares. O tucano até tentou mudar, durante a sessão, o corte para 20%, mas a proposta acabou rejeitada sob críticas.

PSDB

Na efervescência do segundo turno das eleições, na semana do dia 17 de outubro, uma sequência de declarações afiadas do prefeito Omar Najar (MDB) resultaram no rompimento do PSDB com o governo.

Ele atacou João Doria, a família Macris e até seu vice, Roger Willians (à esq., ao lado do vereador Rafael Macris), presidente do partido do PSDB em Americana. Em resposta, os tucanos tentaram a derrubada do reajuste do IPTU, uma semana depois, mas não conseguiram. Funcionários comissionados que pertencem ao partido perderam o cargo na prefeitura.

ENXURRADA

Um ônibus da VPT (Viação Princesa Tecelã) – empresa que atuava no transporte coletivo de Americana – acabou dentro do Córrego São Manoel, no cruzamento da Avenida da Saúde com a Rua São Gabriel, em Americana, após ser arrastado por uma enxurrada no dia 14 de fevereiro. Cerca de 15 pessoas, entre elas uma grávida de 39 anos, estavam no veículo na hora do acidente. Ninguém ficou ferido.

O alagamento ocorreu após uma chuva de 52,9 milímetros, volume esperado para uma semana. Sem dinheiro para executar obras no local, a Prefeitura de Americana instalou placas meses depois, “alertando” motoristas para que não “avancem” em direção ao cruzamento em caso de alagamentos.

TEMPESTA

No dia 14 de junho, o juiz Luiz Antonio Cunha, da Vara do Júri de Piracicaba, anunciou a condenação do mecânico Celso Pereira de Assis, de 44 anos, a uma pena de 71 anos, 11 meses e 29 dias de prisão pela chacina da família Tempesta, ocorrida em janeiro de 2009, em Americana. Robson e Ana Paula Tempesta foram mortos a tiros, no Jardim Santana, em Americana.

As filhas do casal, Laura e Camila, foram mortas por asfixia, em Campinas. Celso era réu confesso no caso, mas a defesa dele sustentou a tese de inimputabilidade por doença mental. Duas semanas depois, o juiz piracicabano reconheceu um erro na soma das punições e a corrigiu para 90 anos e oito meses.

FEBRE AMARELA

O ano teve início sob a ameaça da febre amarela. O alerta para o risco da doença na região disparou em janeiro a procura por vacina em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e o mês tradicionalmente marcado por férias e viagens dessa vez entrou para a história pelas longas filas nos postos de vacinação.

O medo gerou disputa e até briga por um lugar na fila, obrigando a Prefeitura de Americana a dobrar os postos de vacinação e a distribuir senhas. Mesmo assim houve quem madrugasse e até acampasse nos locais de vacinação para conseguir uma senha. Em março a campanha foi ampliada, um mês depois a procura caiu pela metade e em julho a vacinação voltou a ser centralizada em sete unidades de saúde.

RAIVA

Americana registrou em junho o primeiro caso de raiva em morcego em 15 anos. O corpo do animal foi encontrado no bairro Antônio Zanaga e a prefeitura reforçou o monitoramento e as orientações para que moradores mantivessem a vacinação antirrábica em dia. Em agosto, um novo caso foi registrado, no São Vito.

Textos: George Aravanis, Leon Botão, Valéria Barreira e Walter Duarte
Fotos: João Carlos Nascimento, Marcelo Rocha e Marlon Oliveira
Edição: Claudio Gioria e João Colosalle

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