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Polícia

Novo golpe que usa imagens do Detran-SP faz vítimas em cidades da região

Golpistas aproveitam postagens de veículos furtados e criam falso resgate para conseguir dinheiro dos proprietários

Por Leonardo Oliveira

22 jan 2021 às 18:03 • Última atualização 22 jan 2021 às 19:46

Desde o início desse ano, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) Americana tem identificado vítimas de um novo tipo de golpe praticado na região. Nele, as pessoas que anunciam nas redes sociais que tiveram seus veículos furtados acabam pagando um valor por um suposto resgate, mas descobrem depois que se tratou de uma farsa.

Segundo o agente da corporação Emerson Siqueira, quatro moradores de cidades como Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré caíram no golpe e desembolsaram entre R$ 2 mil e R$ 5 mil na tentativa de reaver o veículo. A DIG conseguiu evitar que uma quinta pessoa também fosse prejudicada.

O golpe funciona da seguinte maneira: a vítima anuncia no Facebook que teve o veículo furtado e põe uma foto do automóvel nas redes sociais, mostrando a placa e deixando um telefone para contato, caso alguém tenha flagrado o carro em algum local.

Um estelionatário se aproveita da postagem e manda mensagem ou liga para vítima, dizendo que está com o veículo dela, pedindo que uma quantia em dinheiro seja depositada para devolvê-lo. Para dar credibilidade, o golpista manda uma foto via WhatsApp do carro furtado.

A foto enviada é diferente de todas as que a vítima tem nas redes sociais, por isso a pessoa acredita na história e transfere o dinheiro para a conta indicada pelo criminoso. Depois do depósito, o golpista some e bloqueia o telefone que usou para contato.

Para conseguir a imagem do automóvel, criminosos usam o aplicativo do Detran-SP. Nele, é possível ter acesso ao laudo de vistoria dos veículos, que tem várias imagens do dia da vistoria – são essas as fotos enviadas para ao proprietário para dar veracidade ao golpe.

Basta ter a placa e o número de Renavam para conseguir esse documento. Os criminosos conseguem pelas próprias postagens o emplacamento. Já o número do registro ainda é uma incógnita para a Polícia Civil – um dos próximos passos da investigação é saber isso.

“A grande intenção é fazer um alerta para que se evite cair nesse golpe de pagar resgate pelo veículo. Ao receber imagens, fique atento se a imagem não é da vistoria do veículo, porque, de todos os casos que houveram até hoje, essa devolução nunca existiu. Ninguém vai devolver o seu veículo que foi roubado ou furtado mediante o pagamento de um resgate”, disse Siqueira, em coletiva de imprensa.

O perfil das vítimas é o mesmo: comprou recentemente um veículo através de um longo financiamento e não possui seguro. Quando são furtadas ou roubadas, se sentem desesperadas para reaver o bem e ficam mais suscetíveis ao golpe.

Em um dos casos, o proprietário havia acabado de adquirir um carro no valor de R$ 36 mil, com financiamento em cerca de 60 vezes. Ele tinha feito o pagamento da primeira parcela, quando houve o furto.

O golpe foi descoberto quando uma moradora de Santa Bárbara d’Oeste pagou R$ 2 mil no falso resgate e os criminosos pediram mais um depósito de R$ 2 mil. Foi quando ela procurou a DIG de Americana para relatar o caso. Desde então, a corporação tem mapeado as ocorrências.

Nos últimos dias a DIG conseguiu impedir que um morador de Americana caísse na farsa. “A gente solicitou para que ela [vítima] falasse aos golpistas que não ia fazer uma transferência bancária ou um PIX, mas que ia entregar em mãos. A pessoa era irredutível, falando que ia receber o dinheiro de forma eletrônica”, disse Emerson.

O proprietário, então, pediu mais fotos via WhatsApp para o estelionatário, até que uma imagem foi enviada, mostrando a vítima sentada ao lado do veículo, no dia da vistoria – os criminosos se esqueceram de “cortar” a imagem. Foi aí que a DIG percebeu que o app do Detran-SP era usado.

Emerson disse que a corporação vai enviar um ofício para o órgão estadual para que altere a forma de exibição do laudo de vistoria dos automóveis, para evitar que as fotos sejam usadas para o golpe.

O agente acredita que se trata de uma quadrilha especializada nesse tipo de crime e afirma que é difícil se chegar ao responsável, já que o dinheiro circulado por meio digital.

“É difícil de ser rastreado porque os dados utilizados para a linha telefônica, para a conta bancária, são dados fraudulentos, o que dificulta e muito a investigação, mas não é por isso que as investigações não vão perseguir para tentar identificar esse grupo criminoso”, finaliza.

Em nota enviada à redação, o Detran.SP informa que ainda não foi procurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana para tratar sobre o caso mencionado pela reportagem. O órgão está à disposição da polícia para colaborar com as investigações.

Em nota, o Detran-SP informou que ainda não foi procurado pela DIG para tratar sobre o caso. “O órgão está à disposição da polícia para colaborar com as investigações”, diz a nota enviada ao LIBERAL.

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