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INFECÇÕES CRESCENDO

Nova onda da Covid-19 ganha força na região com alta em taxa de contágio

Aumento na busca por exames e diagnósticos positivos têm sido sentidos em laboratórios; especialistas incentivam terceira dose

Por Ana Carolina Leal

22 de maio de 2022, às 08h15

Vacinação com a terceira dose é apontada como uma das formas de conter nova onda da Covid - Foto: Marília Pierre / Prefeitura de Americana

A taxa de transmissão do coronavírus, causador da Covid-19, voltou a crescer nos últimos dias na região de Campinas. Pela primeira vez, desde janeiro e fevereiro, durante a onda da Ômicron, a taxa voltou a ficar acima de 1, que indica que a doença está se espalhando. Laboratórios ouvidos pelo LIBERAL afirmam que a procura por testes aumentou, bem como a quantidade de resultados positivos.

O momento atual, de acordo com especialistas, é de alerta, principalmente porque a cobertura vacinal da terceira e quarta dose está muito baixa. Em Americana, por exemplo, apenas 33,8% da população tomou a terceira dose. Quase 64 mil moradores já poderiam ter tomado e ainda não o fizeram.

De acordo com números compilados pela plataforma SP Covid-19 Info Tracker, que passou a fazer o monitoramento da doença em setembro de 2020, o índice de contágio, na última sexta-feira, era de 1,3. Ou seja, em média, cada 100 pessoas infectadas contaminam outras 130. No final de abril, essa taxa era de 0,6.

Até a última sexta-feira, o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, que engloba 42 municípios, entre eles Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, somava 603.494 registros positivos de Covid-19, 13.280 mortes pela doença e 18.525 casos ativos, ou seja, que ainda estavam transmitindo o vírus.

Coordenadora do projeto Info Tracker e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), Marilaine Colnago afirma que a tendência é o índice chegar a 1,4 até semana que vem, um aumento significativo, disse. Ela atribui a alta a um conjunto de fatores, que vai desde a liberação do uso de máscaras até um escape maior da vacina, o que faz surgir outras subvariantes.

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“As pessoas já estavam com aquela sensação de que não existia mais perigo, que já estava tudo sob controle, porque já não se fala mais tanto na Covid como se falava anteriormente”, comentou, em entrevista ao LIBERAL.

“A questão da vacinação também influencia porque uma grande parcela da população não voltou para tomar a dose de reforço e a quarta dose estagnou na idade de 60 anos. Eu, por exemplo, já faz quase seis meses que tomei a terceira dose, então vai caindo a eficácia da vacina”, disse a pesquisadora.

Marilaine acredita que deve acontecer algo parecido com a onda da Ômicron, no início do ano. Um aumento significativo de internação e de casos, mas não tanto de óbitos quanto ocorreu no ano passado.

Subnotificação
Segundo Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp, em Campinas, e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, o momento é de subnotificação dos casos leves porque um grande percentual de pessoas tem feito os autotestes e sem que tenha havido uma estratégia para contabilizá-los nas estatísticas.

“Nosso número com certeza é maior do que esses que estão sendo divulgados nos dados oficiais, portanto, a taxa de transmissão deve ser maior”, destacou.

De acordo com a infectologista, alguns indicadores também mostram que houve aumento, nos últimos dias, de internações por Covid-19, inclusive em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Em Americana, o número de casos positivos da doença já aumentou ao menos 38% em maio em comparação com abril. Entre 1º e 18 de abril foram confirmados 130 novos casos enquanto que entre 1º e 16 de maio, foram 180.

“Possivelmente, não teremos um impacto tão grande como nas outras ondas, muito em virtude da vacinação, mas temos uma grande preocupação porque nossa cobertura vacinal de terceira e quarta dose está muito baixa. E para enfrentar a Ômicron, a gente precisa da terceira dose ou da quarta dose. Só duas doses não são suficientes”, alertou Raquel.

Segundo a médica infectologista Ártemis Kílaris, que atua no Hospital Unimed, em Americana, o aumento no número de notificações chama atenção porque ficamos em uma iminência de ter uma nova onda, apesar de esses casos serem mais leves. “Não está tendo tanto comprometimento pulmonar, é mais quadro de infecção respiratória alta que atinge as narinas e a garganta. Mas temos que ficar em alerta porque pode voltar”, disse.

Máscaras
Apesar de o uso de máscaras não ser mais obrigatório, as três profissionais ouvidas pelo LIBERAL defendem a permanência da proteção, principalmente em locais fechados e com aglomeração. Elas também reforçam a necessidade de se tomar a terceira e quarta dose, esta última para pessoas com mais de 60 anos ou imunossuprimidos – aqueles com o sistema imunológico mais comprometido.

“Mais importante que o uso da máscara nesse momento é as pessoas se atentarem para a dose de reforço da vacina. Tenho visto muita gente que não tomou a terceira dose ou que não tomou a quarta dose. É importante que as pessoas se conscientizem disso, que por enquanto é a única coisa que resolveu com sucesso a pandemia”, conclui Ártemis.

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